Abacaxi “Vitória” completa cinco anos e conquista os maiores produtores do Brasil

por admin_ideale

 

A ausência de espinhos, maior espessura da polpa, casca dura e coroa pequena e, principalmente, a resistência a fusariose, estão fazendo com que o abacaxi “Vitória” conquiste o mercado dos maiores produtores da fruta no Brasil. A variedade lançada em 2006 pelo Instituto de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), já ocupa lugar de destaque na Paraíba, Ceará, Minas Gerais, Bahia, Mato Grosso, Tocatins e Rio de Janeiro.


O abacaxi “Vitória” comemorou cinco anos de lançamento nesta quarta-feira (24). Além de ser distribuído para os principais Estados produtores no Brasil, países como o México e Gana já implantaram unidades demonstrativas para adaptar a variedade às condições de solo e clima dos respectivos países. No México não existe registro da fusariose e a introdução da variedade no País ocorre em caráter preventivo ao possível registro da doença na região.

O Estado da Paraíba, apesar de ser o maior produtor de abacaxi do Brasil, vê sua produção diminuir devido à fusariose, doença que provoca perda de 40% da produção. Para evitar a perda da liderança nacional, desde 2010 os produtores paraibanos estão cultivando a variedade Vitória.


O pesquisador do Incaper José Aires Ventura ressalta que as pesquisas do abacaxi “Vitória” deixaram de ser uma ação apenas de instituições públicas, pois a iniciativa privada, envolvida com o setor produtivo de abacaxi, aposta na nova variedade e já comercializa mudas do fruto, resultado das pesquisas do Incaper. “Empresas especializadas na produção de mudas estão comercializando a variedade, por acreditarem no potencial de desenvolvimento da produção de abacaxi por meio da nova variedade”, afirma.


Técnicos de países da América Central já visitaram a fazenda experimental do Incaper em Sooretama, e demonstraram interesse em implantar o abacaxi “Vitória” nas regiões produtoras.


O município da Serra é um exemplo no Espírito Santo de grande produção de abacaxi, mas teve perdas devido à fusariose. Atualmente, por meio do abacaxi “Vitória”, o município tenta voltar a ser o maior produtor do fruto no Estado. Entre as décadas de 1960 e 1980, a fusariose dizimou cerca de 80% da produção da fruta, extinguindo as lavouras no município.


No final de agosto deste ano, foi realizado na Serra um evento para exposição dos frutos da primeira colheita do abacaxi “Vitória”, provenientes das 50 mil mudas doadas a 25 produtores do município pela Secretaria de Estado da Agricultura, Abastecimento Aquicultura e Pesca (Seag), por meio do Programa de Fruticultura.


Novas pesquisas


As pesquisas sobre o abacaxi “Vitória” continuam após cinco anos do seu lançamento e pesquisadores do Incaper procuram entender melhor como funciona o mecanismo que inibe a introdução da doença na variedade desenvolvida pelo Instituto. Os estudos realizados, com a colaboração do Núcleo de Biotecnologia da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), apontaram que a nova variedade tem uma parede celular mais sólida e inibe o desenvolvimento do fungo, evitando que a doença se prolifere.


A descoberta capixaba foi publicada nas revistas científicas Crop Protection, da Holanda e a Plant Cell Report, da Inglaterra nos meses de junho e julho deste ano. Os estudos contaram com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e Fundação de Amparo à Pesquisa do Espírito Santo (Fapes).


Por meio do estudo, novas variedades clonais podem ser desenvolvidas para se obter uma parede celular mais sólida e assim evitar o desenvolvimento da doença que mais prejudica a produção de abacaxi no mundo. “A descoberta do mecanismo que evita o desenvolvimento da fusariose pode ser explicado e comprovado cientificamente. Além de possibilitar a criação de outras variedades de abacaxi também com a mesma característica”, explica José Aires Ventura.


Outra pesquisa do Incaper é a identificação dos três grupos de fungos que provocam a doença e como se comportam, para que os produtores possam se prevenir de uma possível evolução, que a torne mais agressiva. Sendo assim, mesmo que a fusariose se torne mais agressiva, os pesquisadores podem alertar para que os produtores realizem ações preventivas.


Abacaxi no Espírito Santo


No Espírito Santo já foram distribuídas mais de 1,8 milhão de mudas para os produtores capixabas e o cultivo do abacaxi já é tradicional no Estado. Os municípios que mais cultivam a fruta são Marataízes, Presidente Kennedy e Itapemirim, e a criação do Polo de Abacaxi no Norte é uma das ações da Seag para diversificar os investimentos e gerar oportunidades em todas as regiões. Atualmente a cultura do abacaxi ocupa 3,7 mil hectares e envolve 1,2 mil agricultores capixabas, gerando aproximadamente sete mil postos de trabalho e produzindo aproximadamente 47,6 mil toneladas de abacaxi ao ano.


Batizada como ‘Vitória’, a nova variedade de abacaxi selecionada após dez anos de pesquisas por técnicos do Incaper, tem como principal característica a resistência à fusariose. Esta doença, causada por um fungo, é a principal ameaça às lavouras no Brasil, responsável por perdas de até 40% na produção. Além disso, o abacaxi ‘Vitória’ possui elevada produtividade, ótimas características de sabor e pode ser utilizado tanto para o consumo in natura, quanto para atender à agroindústria.


A variedade dispensa o uso de fungicidas para controle da doença, possibilitando a redução do impacto ambiental e dos custos de produção. Apresenta, também, maior resistência ao transporte e na pós-colheita, conferindo maior competitividade aos fruticultores, principalmente os de base familiar.


 


Leandro Abreu


 


 


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