Após conquistar espaço nas propriedades capixabas nos últimos anos, a fruticultura está acompanhando a tendência do mercado consumidor e trabalhando para conseguir a certificação da produção. Através de critérios estabelecidos em todos os procedimentos da produção e beneficiamento, a Certificação de Produção Integrada de Frutas (PIF) foi criada pelo Ministério de Agricultura com a finalidade de aumentar a qualidade do alimento.
No Norte do Espírito Santo, produtores e indústrias estão implantando o sistema, com o apoio de entidades do setor. Em Jaguaré, a Coopruj, cooperativa de produtores rurais do município, resolveu seguir a nova demanda do mercado e iniciar o processo de certificação de seus produtores de maracujá e goiaba. Para que o produtor rural consiga esse certificado ele deve seguir algumas Normas de Cultura na sua produção estabelecidas pela própria certificação. “Por exemplo, ele deve utilizar na lavoura produtos químicos devidamente registrados e, em certas situações, apenas a dose indicada pelo Ministério da Agricultura”, explica o presidente da Coopruj, Fábio Felisberto Fiorot. O produtor deve seguir também regras de monitoramento, criando uma espécie de Diário Rural onde deverão ser anotadas todas as informações sobre a propriedade e todas as datas e quantidades das aplicações, além dos nomes dos produtos utilizados.
A Trop Frutas do Brasil, indústria de polpa de frutas com sede em Linhares, já caminha para conseguir esta certificação. Desde 2008, a empresa passa pelas etapas necessárias para entrar no programa. Em parceria com Coopruj e com a Cooperativa de Produtores de Cristal do Norte (Cristalcoop), de Pedro Canário, a indústria funciona como empresa certificadora e está na fase conhecida como Boas Práticas Agrícolas (BPA), atingindo cooperados de várias culturas. As empresas que quiserem receber esta certificação devem ter um contrato assinado com o produtor se comprometendo a fornecer assistência técnica e treinamentos periódicos, além de fiscalizar a conduta dos produtores. Caso, ao final da safra, o produtor não atenda às normas estabelecidas pela empresa parceira ou haja qualquer desvio das Normas de Cultura, ele será desligado do programa e não receberá o selo de Produção Integrada.
O diretor de operações da Trop, Marcos Leonardo Miranda, diz que foi criada recentemente uma Comissão Estadual para monitorar e acompanhar empresas que receberem a Certificação PIF. “A comissão, que recebe o nome de PI Brasil, a qual fazemos parte, está sob a coordenação do Ministério da Agricultura e iniciou a fase de diagnóstico para que sejam discernidos os diferentes estágios das culturas que participarão do programa, para que haja a possibilidade de implantação das Boas Práticas Agrícolas no Campo, dando suporte a PIF”, explica Miranda.
A cultura da goiaba está em estágio mais avançado na conquista da certificação. Como possui um número menor de produtores, fica mais fácil o contato e acompanhamento. Apesar de ser conhecida pela força no maracujá, a Coopruj está investindo na goiaba e vai fomentar o plantio da fruta entre seus cooperados. Para conseguir desenvolver o projeto de forma eficiente, a cooperativa, que conta atualmente com cerca de 270 sócios e possui um técnico agrícola para apoio aos produtores, espera uma parceria para contratar mais técnicos e melhorar o acompanhamento da lavoura dos cooperados e, principalmente, analisar a conduta dos produtores para que atendam às exigências da Certificação PIF. “Vamos ao campo verificar se todos os produtos fertilizantes e pesticidas que o produtor usa estão registrados e se ele está anotando tudo no Diário de Campo”, afirma Fábio Fiorot.

Fábio e Marcos Vinícius alinham projeto de certificação
Segundo ele, o trabalho já é feito de forma adequada no campo, porém a dificuldade é fazer o produtor registrar tudo. “Temos que certificar o que já estamos fazendo. A ideia é fazer controle em uma caderneta de campo, centralizar as informações na cooperativa e disponibilizar para o mercado. Aí o consumidor poderá saber de onde o produto veio, como foi produzido”, diz o presidente da cooperativa. A relação da propriedade com os funcionários e o meio ambiente é essencial para conseguir a certificação, sendo necessários seguir as normas de trabalho e a legislação ambiental.
Os cuidados com a produção não devem resultar em um imediato retorno de preços para o agricultor. De acordo com o analista agrícola da Trop Brasil, Marcos Vinicius Frinhani, o ganho inicial do produtor será na produtividade da lavoura. “Com este trabalho, a ideia é que o produtor possa economizar no custo de produção através do manejo correto. Ele pode gastar a mesma coisa, mas melhorar sua produção. Com isso terá um lucro maior no negócio”, diz o analista, lembrando que outros mercados podem ser conquistados com a certificação em mãos.
Os benefícios da Certificação de Produção Integrada atingem também o consumidor final, que tem mais segurança ao comprar o produto. Segundo Marcos Leonardo, da Trop, a vantagem é para todos. “O produtor terá os custos diminuídos por seguirem as Boas Práticas Agrícolas de produção e também terão um selo de confiabilidade autenticado pelo Ministério da Agricultura, o que o fará ganhar mercado. A empresa, que além de ter a produção mais organizada e sustentável, poderá em seguida montar um plano de divulgação deste diferencial para valorizar o produto e abrir novos mercados. E o consumidor final vai comprar produtos conduzidos dentro de práticas adequadas de produção, ou seja, com um controle mais específico do uso de defensivos agrícolas na lavoura, aumentando a qualidade do produto e deixando-o mais saudável”, afirma.
Revista Campo Vivo
Reportagem publicada na edição 09 – março/2011
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