O movimento de valorização da moeda norte-americana ante o real pode ajudar na retomada da competitividade da carne bovina no mercado internacional, afirmou o consultor e diretor da Bigma Consultoria, Maurício Palma Nogueira. Ainda assim, para este ano, segundo ele, o câmbio atual será insuficiente para reverter a queda no volume embarcado.
A Bigma estima que em 2011 o Brasil embarcará um volume de 15% a 17% inferior ao do ano passado. A apreciação do real ante o dólar, que perdurou até o final de agosto, prejudicou a competitividade da proteína brasileira, que ficou mais cara ante os seus mercados concorrentes. A crise internacional também impactou na demanda.
– Nossa projeção não inclui essa recente alta do dólar. Apesar do pessoal do setor achar que a valorização veio para ficar, temos que observar como se comportará a moeda no próximo mês. Se ocorrer uma revisão de nossas expectativas, essa será feita só no final de outubro – afirma.
Na avaliação de Nogueira, a queda de volume pode ficar abaixo de 10%. Mas o especialista ressalta que faltam pouco mais de três meses para terminar o ano e que dezembro é um mês fraco em exportação.
Ele disse ainda que, além do comportamento da moeda norte-americana, há outros fatores que deverão ser acompanhados, como a aftosa no Paraguai e o embargo russo.
– A notícia do foco de aftosa no Paraguai pode ter dois efeitos diferentes. Podemos abocanhar a fatia deixada pelo país (cerca de 300 mil toneladas Equivalente Carcaça/ano) ou alguns mercados podem fazer uma campanha contra o Brasil, pela proximidade do país vizinho. De qualquer forma, é muito ruim para a imagem geral do continente – declarou.
Sobre risco de contaminação em bovinos brasileiros, Nogueira acredita ser pequeno, já que o país tem se preparado para evitar a doença.Com relação à Rússia, o executivo não quis prever um prazo para a solução do embargo, mas reforçou que as negociações envolvem mais questões políticas do que sanitárias.
Sobre os preços da carne no mercado interno, Nogueira acredita que o produto sofrerá reajustes positivos até o final do ano.
– Há uma pressão enorme dos custos sobre a indústria e ela terá que fazer repasses – disse.
Agência Estado
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