O crescimento populacional comporta-se sistematicamente ascendente, mas desigual, ou seja, em nível global embora já alcancemos 7 bilhões de habitantes, as taxas de crescimento se diferenciam: os países e os continentes mais pobres crescem a taxas maiores (alguns até negativas, caso de alguns países da Europa), do que aqueles mais ricos. Essa evidência é duplamente preocupante. Primeiro porque a distribuição de alimentos é desigual, penalizando a população de regiões mais pobres. Segundo porque no ritmo que a população cresce, a escassez de alimentos será um desafio cada vez maior, caso decisões inteligentes não forem articuladas mundialmente e implementadas. Este crescimento populacional, além de pressionar a demanda de alimentos, está impactando também as demandas por habitação, água, energia, emprego, lazer, educação, meios de locomoção e de comunicação, etc. que por consequência vão gerar novos conflitos, competição por recursos escassos, e produzir mais resíduos, barulho etc. De outro lado, a longevidade do ser humano faz aumentar os desafios de equacionar as demandas de toda ordem, com um mínimo de atenção às desigualdades sociais que se configuram a maior vergonha do mundo moderno. Até onde poderemos ir, no esforço de atender à população com responsabilidades sociais e ambientais? O planeta terra, já debilitado, suportaria quanto mais de seres humanos? Será que daremos conta de avançar na produção e recuperar os danos sociais e ambientais já tão evidentes, em todo o planeta? Por que não estamos avançando nos compromissos da agenda mundial de meio ambiente? Que novos pactos e novos acordos de âmbito mundial precisam ser construídos? Mesmo num mundo de indagações precisamos começa, e rápido. Verdadeiramente, as áreas existentes para produção de alimentos devem sofrer readequações, e possivelmente serão reduzidas, visando à restauração, para não piorarmos o meio ambiente que já está pedindo socorro. De outro lado, grande parte das áreas exploradas, em vários graus de degradação, está exigindo a introdução de inovações tecnológicas, de elevado custo e com pouca assistência e apoio dos órgãos governamentais responsáveis, sejam do meio ambiente, sejam do setor produtivo. A política agrícola é imediatista, o que não atende e nem atenderá às necessidades da produção com suficiência e sustentabilidade no longo prazo, tão pregadas pelos próprios políticos. O cenário é o de que estamos entrando num labirinto, ou seja, num caminho sem volta, e é preciso agir rápido. Precisamos tomar uma série de decisões e agir de maneira integrada, harmônica e dinâmica, e acima de tudo com inteligência. A opção de verticalizarmos a produção é uma decisão possível e há tecnologias para tanto; contudo falta crédito a juros mais baixos e prazos mais longos para atrair a adesão dos produtores e viabilizar a adoção de inovações tecnológicas. A introdução de inovações tecnológicas com esse fim não fica cara ao Governo, contrariamente ao que muitos pensam e falam. Os resultados são tão positivos e inquestionáveis como investir em educação. Costuma-se dizer que a ciência não tem limites para novas descobertas e, com o surgimento induzido das inovações é preciso viabilizar ferramentas e incentivos econômicos para introduzi-las no ecossistema e assim verticalizarmos a produção de forma sustentável. Somente com as inovações que levam ao aumento da produtividade, com ganhos econômicos para o produtor, evitaremos os desmatamentos, a utilização inadequada da terra, o desperdício de insumos, o uso ineficiente de máquinas e equipamentos etc.. Vamos aos exemplos: O consumo do trator que prepara 100 ha de terra para plantar cana com produtividade de 150 t /ha é o mesmo que preparou 100 ha de terra para cana de 75 t /ha, mantida constante a tecnologia do trator. Há produtores de café com 100 a 120 sc/ha ano, contra uma média de 25,0 sc /ha. Veja quanto desperdício de energia – terra, luz solar, combustível, mão de obra etc. Entendemos que a solução dos problemas descritos sobre os inúmeros conflitos abordados aqui está na melhoria da eficiência das tecnologias oriundas das pesquisas científicas, na assistência técnica e extensão rural mais eficiente, crédito mais atrativo, tecnologias ambientas comprovadamente viáveis para os produtores e boa vontade política para viabilizar respostas não imediatistas. A agricultura historicamente tem dado mostras de sua eficiência técnica e econômica, em resposta aos estímulos dos governos e ao apoio da sociedade. Os novos rumos só serão construídos e viabilizados com a participação de todos e a razoabilidade da interpretação na aplicação das leis, além da coesão nas ações concertadas. Toda a sociedade e todos os seres vivos agradecem, conformando uma biodiversidade verdadeira, com novos indicadores de responsabilidade econômica, social e ambiental, de caráter global. Cabe a nós agirmos rápido. Nelson Élio Zanotti Engenheiro Agrônomo, Especialista em Gestão ambiental. Wolmar R. Loss Engenheiro Agrônomo, Mestre em Economia Rural e Desenvolvimento Econômico.
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