Inicia-se no Brasil, um movimento de desvalorização do Real, depois de mais de oito anos de sobrevalorização, à exceção do período agudo da crise de 2008 e início de 2009, que a coisa desembestou.
Mas a alta do dólar de agora é consequência da mesma a crise de 2008, cujo ciclo não se esgotou, especialmente em vista da inércia dos países centrais na adoção de medidas de controle dos agentes financeiros e, dos excessivos gastos públicos para acelerara a economia, paralisada em vários países desenvolvidos pelos efeitos da grave crise de 2008.
O governo brasileiro se acomodou com a sobrevalorização cambial e agora, com o retorno da crise, começa a tomar medidas conflitantes para equacionar os graves problemas de desindustrialização e de liquidez interna.
Estamos naquela situação de se ficar o bicho come, se correr o bicho pega. O atual agravamento da crise na Europa e nos EUA deflagrou a corrida por dólares. Este é um caso típico de autoproteção: Como os países tem lastro em dólares e o dólar ainda é uma moeda confiável, mesmo na crise todos os agentes e os governos se protegem comprando dólares. Veja o que diz a competente mineira de Caratinga, Mirian Leitão: “Muita gente me pergunta por que o dólar sobe, se a crise é nos EUA. Nos momentos de incerteza e medo, corre-se para a moeda americana e para os títulos da dívida dos EUA, independentemente de onde seja a origem da crise”.
Naturalmente, há um grupo que torce para que o dólar suba, outro para que o dólar desça. Quem mais se beneficiava com a queda era o governo que nesses últimos tempos contava com isso para controlar a inflação e fazer média com ganhos reais de salário. Abusou e acabou o tiro saindo pela culatra, provocando desindustrialização.
Outros segmentos, como alguns ramos industriais e a agricultura, que dependem de vários insumos importados, tem seus custos de produção aumentados, mas de outro lado ganham quando exportam seus produtos. Seguramente, como as commodities agrícolas tem a formação da renda com peso importante nas exportações, sairá ganhando, pois sustentam preços elevados.
Os preços dos importados sobem o que é mais um complicador para o governo controlar a inflação. O dilema será precisamente este: como o Governo vai controlar a inflação, reduzir juros e refinanciar sua dívida interna, já explosiva e promover investimentos novos? Este é um enorme desafio, e talvez a saída mais razoável seja liberar estados e municípios com contas sadias a contrair empréstimos e promover investimentos os quais a União já não pode mais se comprometer.
Wolmar Loss
Engenheiro Agrônomo, Mestre em Economia Rural
e Desenvolvimento Econômico
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