A Associação Brasileira dos Produtores de Leite, a Leite Brasil, acaba de divulgar informações sobre o consumo per capita de leite, informando que está abaixo do que se pensava. Ao contrário dos 150 l/ano, o consumo avaliado é de 128 l per capita ano. Segundo a informação divulgada pelo “Globo Rural Online” e reproduzida em vários sites do agronegócio, foi recalculado o consumo, a partir da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) e do estudo especial sobre Análise do Consumo Alimentar Pessoal no Brasil, ambos do IBGE. Foram considerados nos cálculos do novo indicador, o consumo de leite líquido, leite em pó, queijos e Requião, iogurte e leite fermentado e outros produtos lácteos, separando o volume consumido do volume utilizado pela indústria alimentícia.
Ao que expõe a notícia, e salvo equívoco de nossa leitura, o consumo da indústria alimentícia foi desconsiderado no cálculo do consumo per capita. Se isto é verdade, melhor seria ter calculado o consumo aparente, que leva em conta a seguinte equação: Consumo Aparente = (Produção + importação -exportações)/ população total. Aqui, consideraríamos dois efeitos, o das importações e o das exportações, pois sabemos que as importações estão massacrando a cadeia produtiva do leite e as exportações, pelo câmbio sobrevalorizado, não tem capacidade competitiva e estão cada vez menores. Ademais, tudo considerado, não importaria a forma de consumo, se leite líquido queijo, em um bolo de confeitaria. Tudo é consumo da população brasileira, pois não somos exportadores significativos de alimentos industrializados de panificação e confeitaria.
Retomando então o tema, e para as condições do Espírito Santo, melhor será ficar com os números discutido no II Seminário Estadual das Cooperativas de Laticínios, promovido pela OCB-SESCOOP/ES: “Considerando o consumo aparente per capita/ano de
Por fim, retornando aos dados e critérios da “Leite Brasil”, ao desconsiderar o consumo da indústria alimentícia, não estaríamos sancionado as importações? De fato, as maiores destinações de importados em leite em pó e soro de leite são para essas indústrias de alimentos. Sinceramente, estou torcendo para que eu esteja equivocado. Assim, seríamos duplamente felizes, a população estaria consumindo mais leite em todas as suas formas, inclusive bolos, biscoitos e sorvetes, e o mercado interno do leite sinalizaria para melhores perspectivas para a cadeia. Equacionados os problemas estruturais e de câmbio, as importações seriam mais contidas, poderíamos sim retomar as discussões das exportações e os preços do leite e derivados remunerariam dignamente toda a cadeia produtiva do leite, especialmente o produtor, sempre o elo mais fraco do processo produtivo.
Wolmar Loss
Engenheiro Agrônomo, Mestre em Economia Rural e Desenvolvimento Econômico
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