Presente em todo território nacional, a mosca-dos-chifres é um inseto pequeno, mas que causa grandes danos econômicos e à saúde animal. A infestação por esta mosca aumenta durante o período chuvoso, sendo muito difícil o controle e praticamente impossível a erradicação.
Com coloração escura e hábitos muito peculiares – está sempre de cabeça para baixo e geralmente passa 24 horas por dia sobre o hospedeiro – a mosca-dos-chifres pode ser encontrada em qualquer parte do corpo do animal, mas geralmente fica ao redor dos chifres e cupim.
Os prejuízos econômicos causados pela mosca vão desde a redução no ganho de peso, na qualidade do couro e na produção de leite, até aos altos custos relativos ao controle da mosca. “A maior causa das perdas é devido ao grande apetite da espécie que se alimenta do sangue dos animais e do incômodo causado pelo inseto que procura o animal entre 20 e 40 vezes ao longo do dia, gerando enorme irritação nos animais devido às suas picadas constantes e doloridas”, destaca a médica veterinária Alessandra Maria da Silva.
A irritação causada pela picada das moscas compromete a alimentação e a digestão do animal parasitado, diminuindo a sua produtividade. Ao repetir mais de 20 picadas por dia, as moscas deixam os animais inquietos e nervosos, gerando um aumento excessivo no balançar da cauda e do pescoço, para espantar os insetos. “Em altas infestações, esses animais tendem a emagrecer, ocasionando uma perda visível no seu peso. Este incômodo afeta também a produção de leite, podendo reduzir em até 20% na produção, além de afetar as atividades reprodutivas pela redução da libido dos touros”, explica a veterinária.
Assim como ocorre com outros parasitas, o controle da mosca-dos-chifres é dependente da utilização de produtos químicos. De acordo com Alessandra, a ausência de um plano de ação para o controle integrado de pragas, usando o medicamento em momentos menos adequados para o tratamento, é visto como gargalo ao controle efetivo da mosca dos chifres, levando ao desenvolvimento de resistência em poucos anos e reduzindo a eficácia dos produtos. “As longas distâncias percorridas pelas moscas em busca de animais hospedeiros também dificulta o controle efetivo”, afirma.
O tratamento mais adequado deve ser o integrado entre o uso de inseticidas de maneira racional. É indicado o uso de inseticidas em animais infestados no mês de abril (final do período das águas) e em setembro, antes do início das águas. O tratamento da mosca-dos-chifres é recomendado quando a quantidade de mosca está irritando os animais. Isso pode ser reconhecido e identificado quando os animais apresentam movimentos freqüentes da cauda e da cabeça. Para tentar combater o inseto podem ser utilizados os produtos a base de piretróides (deltametrina, alfacipermetrina, cipermetrina); fosforados (triclornon, DDVP, diazinon) ou endectocidas (ivermectina, abamectina) e nas suas variadas formas de apresentação: pour-on, injetável, pulverização, oral, entre outros.
O controle biológico da mosca-dos-chifres por meio de inimigos naturais é feito principalmente pelo conhecido “besouro rola-bosta”. Ele compete com as larvas da mosca por utilizar as fezes dos bovinos para sua sobrevivência, expondo os ovos e larvas da mosca à insolação ou enterrando-as no solo. Porém, alerta a veterinária, este besouro está sendo eliminado da natureza devido à sua sensibilidade às ivermectinas, amplamente utilizadas pelos pecuaristas no controle de endo e ectoparasitas. Para preservação deste inimigo natural da mosca-do-chifres o uso de ivermectina está contra-indicado.
Alguns tratamentos alternativos como a fitoterapia também têm apresentado boa resposta, podendo reduzir os impactos econômicos e ambientais. “Dentre as várias plantas que podem ser usadas no controle fitoterápico de insetos, pode-se destacar a citronela e o nim indiano. Além da fitoterapia, vários produtores têm obtido êxito no controle da mosca-dos-chifres com o uso de preparados homeopáticos”, diz Alessandra.
Ciclo de vida da mosca
Para acertar no controle da mosca-dos-chifres é necessário que o produtor conheça seu ciclo de vida.A postura dos ovos do inseto ocorre nas fezes frescas dos bovinos (no máximo 20 minutos após serem eliminadas pelos bovinos). Além da necessidade de fezes frescas para postura dos ovos, o ciclo de vida da mosca depende também da temperatura e umidade elevadas. Por isso que a maior infestação ocorre no início e final da estação chuvosa. Nas épocas de seca ou nos períodos prolongados de chuvas a população da mosca-dos-chifres diminui.
Durante o dia, se o calor é muito intenso, as moscas descem para a parte inferior do animal, concentrando-se na região do abdômen, onde se protegem da insolação.
As fêmeas deixam os animais unicamente para oviposição (postura dos ovos), colocando seus ovos sobre fezes frescas. Cada fêmea oviposita em torno de 300 a 400 ovos durante sua vida.
Em boas condições de temperatura e umidade, as larvas eclodem em torno de 24 horas. Elas se alimentam nas fezes e em 4 ou 5 dias se transformam em pupas. A mosca emerge ao redor de 6 a 8 dias de idade.
A mosca-dos-chifres sobrevive por cerca de 28 dias e podem voar até 25 km em busca de animais hospedeiros.
Revista Campo Vivo
Matéria publicada na edição 08

