Líderes partidários, governo e o relator do novo Código Florestal (PL 1876/99), deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), farão mais uma tentativa de acordo sobre os dois pontos de divergência que ainda restam sobre o texto. Está prevista para terça, dia 10, uma reunião entre os ministros das áreas envolvidas com o tema – do Meio Ambiente, Izabella Teixeira; da Agricultura, Wagner Rossi; e das Relações Institucionais, Luiz Sérgio – e os líderes dos partidos na Câmara que apoiam o governo. No mesmo dia, à noite, o projeto deve ser colocado em votação no Plenário.
Mesmo nas conversas em busca de acordo, o líder do governo, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), adianta que a posição do Palácio do Planalto será mantida.
– O governo não cederá. Chegamos a posições consolidadas e queremos convencer o relator e a base que é melhor caminhar na posição do governo – afirmou.
Pontos polêmicos
Um dos pontos do projeto do novo Código Florestal que ainda geram polêmica entre governo e relator é a recomposição da reserva legal, que é a área que toda propriedade rural tem que ter de preservação obrigatória de mata nativa. Ela varia de 20 a 80% do tamanho do terreno, dependendo da região do país. Com a nova lei, quem desmatou essa reserva além do que é permitido, vai ter de replantar até que o terreno tenha a quantidade de vegetação nativa que tinha em 2008.
O deputado Aldo Rebelo diz que propriedades com até quatro módulos ficais, ou seja, com até 440 hectares, seriam perdoadas dessa obrigação. Já o governo quer que só agricultores familiares sejam isentos.
O outro ponto de discordância é quanto à recomposição das vegetações ao redor dos rios considerados pequenos – com até 10 metros de largura. A lei atual (4771/65) diz que é preciso ter 30 metros de mata em cada margem do rio. O relator do Código Florestal propõe que os produtores que desmataram essa faixa tenham de replantar 15 metros. Já o governo quer que os proprietários de terra replantem todos os 30 metros, exceto os produtores familiares.
Ação no STF
Além de envolver o governo e o relator do projeto, o debate também opõe ambientalistas e ruralistas. O Partido Verde, inclusive, entrou com mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal (STF) para barrar a votação do Código Florestal no plenário da Câmara. O STF ainda está analisando a solicitação.
O coordenador da bancada ambientalista, deputado Sarney Filho (PV-MA), diz que o pedido continua valendo para tentar barrar a votação de terça-feira.
– Ainda não houve nenhum tipo de entendimento. Mandamos nossa proposta a assessorias, e técnicos têm conversado. Vamos deixar o mandado de segurança como está e vamos esperar. Se chegarmos a algum acordo, espero que isso ocorra, aí vamos retirar o mandado de segurança – disse Sarney Filho.
Agência Câmara

