Falta gente para trabalhar nas lavouras de Linhares

por admin_ideale

Está faltando mão de obra para a execução das atividades rurais em Linhares. A grande oferta de empregos no município está provocando um processo de migração para outros setores menos tradicionais, sobretudo nas áreas da construção civil e indústria de petróleo e gás.

Para tocar as lavouras de cacau, por exemplo, que durante as safras chegam a empregar em torno de 5 mil pessoas, os produtores estão recorrendo a trabalhadores da Bahia. O cacauicultor, Valdemar Borges, relatou que o problema da escassez de mão de obra começou há quatro anos e se agravou nos últimos dois anos. Segundo ele, é comum casos de produtores que se deslocam para a Bahia interessados em contratar trabalhadores com experiência em plantio de cacau. A tarefa é favorecida pelo alto índice de desemprego no setor na Bahia, onde muitas lavouras sofreram com a vassoura de bruxa, principal doença que ameaça a cultura.

A carência da mão de obra rural em Linhares, entretanto, é generalizada. O presidente do Sindicato Rural de Linhares, Antônio Roberte Bourguignon, afirmou que o campo não tem como competir com os outros setores que estão em pleno desenvolvimento no município.

“Não temos como oferecer as vantagens e as perspectivas dos concorrentes. É preciso estabelecer uma política diferenciada para o setor rural”, argumentou. Bourguignon destacou que a migração dos trabalhadores para outras áreas também inflacionou o mercado de trabalho rural. Destacou, por exemplo, que a diária que custava R$ 25 há um ano já custa R$ 40.

O problema afeta também, conforme o sindicalista, os escalões mais altos do trabalho rural. “Está muito difícil você encontrar um gerente de fazenda, não existe uma política de formação do profissional”, queixou-se, afirmando que, sem alternativas, os proprietários rurais desenvolvem uma espécie de competição pela mão de obra disponível.

A crise atingiu até mesmo o setor mamoeiro, um dos segmentos agrícolas mais organizados de Linhares e que, geralmente, trabalha com foco na exportação. O empresário Romildo Fardin destacou que, em apenas um mês, perdeu 12 de seus 45 trabalhadores.

“Não tem como segurar. Os pais não querem que os filhos trabalhem na roça e com tantas oportunidades de emprego fica difícil”, argumentou.

Depois de muitos anos, ele decidiu deixar a lavoura

Durante praticamente toda sua vida Ademildo Goes Pereira, de 56 anos, da Vila de Povoação, uma região cacaueira de Linhares, trabalhou na agricultura. Há dois anos, sua vida mudou. Apesar da idade e de ter cursado apenas o ensino primário, ele conseguiu emprego em uma das empreiteiras da Petrobras destacadas na Usina de Tratamento de Gás de Cacimbas (UTGC), no setor de limpeza. “Na lavoura, você lida com cobras, formigas e se alimenta no meio do mato, muitas vezes consumindo comida fria e sem receber um salário fixo. Agora estou tranquilo”, disse. Ademildo afirmou que o novo emprego também mudou sua realidade financeira. Com o salário que ganha conseguiu construir a casa própria e sonha em melhorar ainda mais a vida da família.


 


A Gazeta

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