Emater-MG e Embrapa combatem praga do milho com controle biológico

por admin_ideale

 


O milho é um dos principais cereais cultivados em todo o mundo, sendo bastante usado na alimentação humana e animal, além de matéria-prima para a indústria. No Brasil, o cultivo do grão é feito na maioria das regiões e segundo levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), alcançou na safra 2008/2009 uma produção acima de 51 milhões de toneladas. Em Minas, de acordo o mesmo órgão, no mesmo período, a produção chegou a quase 6.500 milhões de toneladas. O Sul do Estado concentra a maior área plantada: 202.696 hectares. E a produção até o mês de junho é de 1.225.388 toneladas, segundo dados da Assessoria de Mercado e Comercialização (Asmec) da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG). Tais estatísticas no entanto, não revelam um desafio enfrentado por extensionistas, estudiosos e agricultores: o controle de pragas e o uso responsável de agrotóxicos nas lavouras do grão.


Eles sabem por exemplo, que uma das grandes inimigas da cultura do milho é a lagarta do cartucho. Uma praga que possui elevado potencial reprodutivo, podendo, cada uma colocar de 100 a 150 ovos. A infestação provoca danos nas folhas e pode comprometer o resultado da produção da cultura. No Brasil, as perdas estimadas pelo ataque da lagarta aos milharais são da ordem de 400 milhões de dólares por ano, segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Milho e Sorgo.


Por isso, por meio do Programa de Manejo Integrado de Pragas na Cultura do Milho e na busca por uma alternativa ao uso de produtos químicos para controlar a praga, a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG) e a Embrapa Milho e Sorgo estão comemorando uma experiência de Manejo Integrado de Pragas (MIP) com controle biológico, que desenvolveram em parceria.


O projeto piloto, implantado, acompanhado e assistido pela Emater-MG, desde novembro do ano passado, está sendo concluído, em 17 unidades demonstrativas, nos municípios de Passos, Alfenas, Lavras, Pouso Alegre, Guaxupé e São João Del Rei. A iniciativa apostou na introdução de um predador natural da lagarta, a vespa chamada Trichogramma. “São insetos muito pequenos (menores que um milímetro) que colocam o próprio ovo dentro do ovo da praga”, explica Ivan Cruz, pesquisador na área de Manejo Integrado de Pragas com ênfase em controle biológico da Embrapa. Ele acrescenta que depois de algumas horas, nasce a larva da vespa que se alimenta do conteúdo do ovo do hospedeiro. Na fase adulta, a vespinha inicia a procura por uma nova postura para a propagação da espécie.


O coordenador técnico estadual de Culturas da Emater-MG, Wilson José Rosa, informa que as unidades demonstrativas têm o papel de mostrar aos agricultores as diversas alternativas de controle de pragas e a racionalização do uso de agrotóxicos. Rosa salienta que o objetivo do projeto é estender o conhecimento a todos os produtores do Estado. “Queremos demonstrar o funcionamento dessa tecnologia, que visa racionalizar o uso de agrotóxicos e utilizar o controle biológico, por meio de inimigo natural”, explica. Segundo o coordenador, os produtores podem produzir as vespinhas, mas devem se organizar em associações e cooperativas para buscar orientação nos escritórios da empresa.


O colega de Passos, o extensionista Marco Antônio Pereira reforça. “O caminho alternativo e sem contaminação está sendo mostrado”, diz, emendando que “os produtores podem montar um estufa para produzir vespinhas. Não precisam ficar procurando lugares onde vão comprar e podem vender para locais que tiver interesse”.


Baixo custo


Para o pesquisador Cruz, o resultado alcançado nas unidades está provando que o produtor pode produzir muito mais, se usar a vespinha e sementes tratadas. “É um recurso que não interfere em outros agentes biológicos. Tem o custo barateado e é extremamente favorável ao meio ambiente”, enfatiza. Isso porque, segundo o técnico, um dos riscos ao aplicar o inseticida, é que o produto não atinja a planta, o que causa prejuízo para o produtor, pelo desperdício e ao meio ambiente, pela contaminação.


Segundo Ivan Cruz, o uso do inseticida custa em média R$ 35 reais por hectare para o agricultor, sem contar o gasto com trator e mão-de-obra. Enquanto a despesa com compra da vespinha é de R$ 17, excluída a mão-de-obra. “Esse preço ele paga se for comprar nas biofábricas, mas as vespinhas podem ser produzidas com assistência da Emater-MG. O que nós aconselhamos é que o os produtores se unam em associações ou cooperativas”, sugere. Ivan Cruz lembra que em eventuais sobras, as vespinhas podem ser comercializadas com a comunidade.


Cruz alerta que hoje há um uso exagerado de inseticidas para combater a praga, o que pode favorecer uma resistência dela a diversos pesticidas e até mesmo o aparecimento de outras. Enumera também, os efeitos nocivos da prática sobre peixes, animais silvestres, inimigos naturais das próprias pragas e, principalmente, sobre o ser humano, tanto no momento da aplicação, quanto do consumo. “Há uma aplicação excessiva de produtos químicos para controle de pragas”, diz, acrescentando que isso pode estar relacionado à falta de informações, pois a tarefa é feita sem a preocupação de saber se a praga está presente na lavoura.


Um dos produtores a abrigar uma unidade demonstrativa em sua propriedade, Reginaldo José Mariano, do Sítio Córrego Grande, no município de São Pedro da União, em Guaxupé, elogia o uso do controle biológico. “Com as vespinhas tive o gasto só de plantar o milho e colocar adubos. Saiu bem mais em conta, pois o veneno usado para pulverizar está muito caro”, ressalta. No mês passado, Reginaldo colheu uma média de 100 sacos de milho. Segundo ele, a área que usou a vespinha foi a que mais produziu e a qualidade da espiga foi visível. “Você vê a diferença. Vou procurar o pessoal da Emater, pois quero continuar. Segundo o produtor, há vantagem também para o meio ambiente. “É excepcional. O produtor tem de ter consciência ao cuidar da terra, sem acabar com o mundo”, argumenta.


Em países da América Latina, como Venezuela e até mesmo regiões do Sul do Brasil, a prática do controle biológico já é uma realidade, de acordo o pesquisador da Embrapa. Por isso, ele demonstra confiança na expansão da tecnologia no Estado. “Se atingirmos a agricultura familiar já é um grande avanço e o papel da mídia para mostrar o controle é fundamental”, conclui.


Para o presidente da Emater-MG, José Silva Soares, atividades que priorizam recursos e cuidados com o meio ambiente, como as que a Emater-MG está desenvolvendo no Sul do estado, só reforçam o desenvolvimento sustentável, missão da empresa. “Atuamos diretamente nas comunidades, especialmente nas rurais, por meio de ações que despertam a atenção para a importância da cada um fazer a sua parte e buscar soluções para o desenvolvimento saudável do planeta”, ressalta.


 


Comunicação /  Emater-MG

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