ARTIGO – Nova safra, novos desafios

por admin_ideale

 


Nova safra, novos desafios


 


Estamos entrando em novo ciclo de produção no agronegócio brasileiro, cujo principal esforço, dos produtores e suas organizações, nesta safra 2009/2010, será calibrar as decisões de quanto e como produzir, em vista de um período de transição, marcado por interações de variáveis que carregam efeitos da crise econômica e de movimentos cíclicos de produção, especialmente para o caso do café.


O evento sobre a crise e o agronegócio, realizado por instituições do setor no último dia 13, não deixa dúvidas quanto à transição: i) produzimos com custos elevados na safra passada (2008/2009) e, na média, estamos vendendo a preços baixos. A crise econômica frustrou as expectativas de preços melhores das commodities do agronegócio, que vinham sendo sinalizadas até agosto de 2008; ii) no segmento exportador, a taxa de câmbio, com relativa desvalorização do real, não compensou totalmente o declínio dos preços externos, especialmente no caso do café; iii) os mecanismos protecionistas mundiais, nesta crise, não se arrefeceram; ao contrário, as sinalizações são de exacerbação; iv) no mercado interno, o desemprego aumentou, mas a massa de salários não foi significativamente afetada, e as políticas compensatórias de renda, embora fragilmente condicionadas ( como no caso da bolsa família) funcionaram como amortecedor do declínio mais significativo  de preços dos alimentos básicos.


Por fim, e como corolário do exposto anteriormente, o saldo do ano agrícola 2008/2009 não foi bom. Tivemos uma ampliação sem precedentes dos passivos dos produtores, algo em torno de 131 bilhões de reais, em todo o País – quase o valor de uma safra inteira.


Neste cenário, entramos na nova safra. A ordem é produzir com cautela, diversificando a produção e controlando com rigor os custos de produção, especialmente das lavouras perenes, como o café, mas sem prejudicar seu vigor vegetativo. Isto significa manter a lavoura, sem exigir dela altas respostas de produtividade com uso intensivo de insumos químicos, já que as indicações são de que os acréscimos de custos não terão correspondência nos preços do produto, no próximo ano.


Num quadro de recuperação mundial lenta a partir de 2010, e com perspectivas de crescimento interno, embora baixo, superior à média mundial, a questão central, nos exportáveis, será a taxa de câmbio, cujos sinais não são favoráveis, o que reforça a recomendação de cautela.


Ainda bem que no agronegócio capixaba, o fluxo de comércio tem, à exceção da celulose, destinação muito forte para o mercado interno, o que poderá suavizar os efeitos sobre a renda dos produtores capixabas, na travessia de 2010.


 Mas vale a recomendação também para os produtores capixabas: cautela e caldo de galinha não fazem mal para ninguém. Afinal, temos concorrentes também no mercado interno e o agronegócio, no todo, mas principalmente no segmento produtor, é competitivo. Nesta transição, a diversificação da produção e a eficiência econômica parecem ser mais relevantes do que a produtividade eminentemente física de uma lavoura específica. Na agricultura, os bons negócios de 2010 começam a ser realizados agora. Mãos à obra e sucesso.


 


                                      Wolmar Loss


 Engº Agrônomo, MS em Desenvolvimento Econômico e Membro do ITV-ES

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