Da mesma forma que os demais setores da economia, o agronegócio passa por momentos de incerteza. A crise da economia norte-americana, que repercute no mundo, afetou a atividade no Espírito Santo, mas os mercados de alguns produtos já demonstram reações positivas. O assunto será discutido nesta segunda-feira (13), no fórum “Impactos da Crise Financeira Mundial no Agronegócio Capixaba”. O evento começa, às 8h30, no auditório do Senac Beira-Mar, em Vitória, com a presença de vários representantes do setor. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas no local.
Dirigido aos produtores, empresários rurais, profissionais do ramo, munícipes e autoridades, o evento vai discutir como o café, mamão, madeira, borracha e pecuária de leite, principais pilares da economia rural capixaba, sofreram os impactos da crise e quais são as perspectivas. O objetivo do evento é levantar a situação atual das principais cadeias produtivas e as tendências futuras de mercado, de modo a fornecer suporte para a tomada de decisão de todo público envolvido com o negócio agrícola.
O evento é uma realização do Instituto Capixaba de Pesquisa Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), da Secretaria de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca do Espírito Santo (Seag), do Centro para o Desenvolvimento do Agronegócio no Espírito Santo (Cedagro) e da Sociedade Espíritossantense dos Engenheiros Agrônomos (SEEA).
“Quando surgiu a crise, como forma de se precaver, a primeira reação das empresas e pessoas foi a redução do consumo. E isso foi sentido em quase todos os setores. Mesmo assim, a crise não foi igual para todos os produtos agrícolas. Alguns foram altamente impactados, outros levemente, e outros seguiram a sua própria conjuntura. Conhecendo a dimensão do impacto, posso dizer que o pior já passou e em alguns setores já é possível verificar reação, como é o caso da madeira”, comenta o diretor técnico do Incaper, Gilmar Dadalto.
Altamente impactados
Madeira
Empresários do setor madeireiro afirmam que no final de 2008 houve quase paralisação na compra de madeiras em países asiáticos, como China e Índia, acarretando queda de 25% no preço do produto. A partir do início de 2009, reativou-se o mercado e nos últimos meses, houve aumento de cerca de 6% no preço do produto no mercado internacional. “Em nível de produtor capixaba, o principal mercado comprador, que é o setor celulose, vem mantendo o mesmo preço de 2008, antes da crise”, afirma o diretor-executivo do Cedagro, Ewerton Mansur.
Borracha
A crise econômica mundial atingiu em cheio os heveicultores capixabas (cultivo da seringueira para a extração do látex). Houve uma redução drástica do consumo de pneu nos principais mercados, além da redução do preço do petróleo, matéria prima da borracha sintética, principal concorrente da borracha natural, o que contribuiu para a queda em 50% no preço do quilo do látex, antes vendida a R$ 2,50/kg, agora a R$ 1,24/kg em nível de produtor rural.
“A queda nos preços tem prejudicado os seringueiros capixabas, já que às vezes o preço de venda não supera o custo de produção. Hoje o setor já começa a reagir, mas ainda não há previsão para normalizar a situação”, explica o presidente da SEEA, José Adilson, acrescentando que o Espírito Santo é o sexto na produção nacional de borracha natural.
Mamão Havaí
Nos últimos anos, houve uma queda significativa nas exportações de mamão havaí, inicialmente pela defasagem cambial (baixo valor do dólar) e após início da crise pela redução do consumo no exterior. Outro agravante foi a entrada no mercado internacional da variedade “formosa”, vinda dos países asiáticos, que tem preço mais barato. Aqui no Espírito Santo, houve uma redução em torno de 30% nos preços do mamão havaí e um aumento de 35% nos custos de produção num período de dois anos (2007-2009), reduzindo drasticamente a rentabilidade do produtor rural.
Em virtude da retração, empresários e produtores do setor diminuíram sua produção, ocasionando a redução de 11 para seis mil hectares a área de plantação de mamão no Espírito Santo. “Não há como continuar produzindo sem ter um mercado comprador que pague um preço mais elevado. É a lei natural da economia: se a oferta está grande, o preço cai. Caso contrário, sobe”, lamenta o presidente da Associação Brasileira dos Exportadores de Mamão Papaya (Brapex), Roberto Pacca.
Levemente impactados
Café
Das commodities agrícolas, o café foi o menos afetado pela crise mundial. O presidente do Incaper, Evair de Melo, explica que o “cafezinho pesa pouco na cesta do consumidor. Por isso seguiu sua conjuntura normal. Houve, sim, redução no consumo do café solúvel, em virtude do preço mais elevado, uma vez que é pouco consumido no Brasil, mas muito apreciado no exterior. E como houve retração do produto no mercado internacional, houve pequena diminuição na venda do Conilon, porque é a base do café solúvel e, consequentemente, leve redução no preço desse café”.
Pecuária de leite
De acordo com os empresários, este setor foi levemente impactado. “Aqui também prevalece a lei da oferta e procura. Em 2008, quando começou a crise, o preço já estava baixo, devido à elevada oferta de leite. Durante a crise houve aumento no preço do leite, chegando atualmente aos mesmos patamares de 2007 (R$ 0,80/litro) na propriedade rural. O valor deve-se à escassez do produto, em função basicamente de adversidades climáticas nos países de maior produção.
Outras frutas
As frutas, especialmente as mais utilizadas para fabricação de polpa, como maracujá, manga e goiaba, tiveram nos dois últimos anos aumento de preço superior aos seus custos de produção. Isso gerou, em nível de produtor, uma lucratividade maior após o início da crise. Neste setor não houve, portanto, influência da crise na conjuntura dessas frutas.
Perspectivas
O Governo do Estado recentemente deu uma boa notícia aos capixabas, ao anunciar que fará em 2009 o maior investimento público da história do Espírito santo. Será R$ 1 bilhão aplicado em obras e ações que potencializem a geração de emprego e renda, inclusive no setor agrícola, como forma de minimizar os impactos da crise financeira internacional. Trata-se do Programa Capixaba de Investimentos Públicos e Empregos 2009.
“As commodities e culturas praticadas no agronegócio foram impactados de forma diferente pela crise. Mas mesmo para os impactados, o pior já passou. A tendência é recuperação e estabilização. Se houver aumento no consumo, o valor dos produtos tende a aumentar. A recomendação é reduzir custos, cortar excessos, e produzir mais, aproveitando o momento para se preparar para novas oportunidades. É, sim, possível fazer mais com menos”, conclui Gilmar Dadalto.
Serviço:
Fórum de debates “Impactos da Crise Financeira Mundial no Agronegócio Capixaba
Data: 13 de julho de 2009 (segunda-feira)
Horário: 8h30 às 17h30
Local: Senac Beira Mar, em Vitória
Inscrições: Gratuitas e podem ser feitas no local
Programação:
– 8h30 – Recepção e Credenciamento
– 9 horas – Abertura Solene
– 10 horas – Painel: Crise: Situação atual, cenários macroeconômicos e efeitos no agronegócio
José Teófilo de Oliveira – Consultor Empresarial
– 10h40 – Palestra: Situação Atual e Tendências dos Custos dos Fertilizantes no Agronegócio
Eduardo Daher – Diretor da Associação Nacional para Difusão de Adubos – ANDA
– 11h20 – Debate
– 12 horas – Intervalo
– 13h30 – Palestra: Cenários para a Cafeicultura
Marcelo Neto – Presidente do Centro de Comércio de Café de Vitória
– 14h10 – Palestra: Cenários para a Cultura do Mamão
Roberto Pacca – Presidente da Associação Brasileira dos Exportadores de Papaya – Brapex
– 14h30 – Debate
– 15 horas – Intervalo
– 15h20 – Painel: Cenários para a Silvicultura
Luciano Lisbão Júnior – Gerente de Meio Ambiente da Aracruz Celulose
Augusto Gameiro – Consultor do Projeto Borracha Natural – SP
– 16h30 – Palestra: Cenários para a Pecuária de Leite
Paulo do Carmo Martins – Consultor da Itambé – MG
– 17h10 – Debate
– 17h30 – Encerramento

