Um estudo conduzido por pesquisadores da CEPLAC publicado na edição de abril da revista cientifica “Noeotropical Entomology”, editada pela Embrapa/Cenargen, desfaz a suspeita de ser o inseto conhecido “Gorgulho dos frutos”, praga de frutos jovens do coqueiro. A pesquisa foi realizada na Estação Experimental Lemos Maia, da CEPLAC, na rodovia Una – Colônia, entre março de 2003 e março de 2004 e só agora publicada.
O grupo de pesquisadores foi integrado por José Inácio Lacerda de Moura, Raul Valle, Ricardo Sgrillo e Jacques Delabie, da CEPLAC; Joana Ferreira, da Embrapa Tabuleiros Costeiros, Aracajú, Sergipe; Alex-Alan de Almeida, da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), Ilhéus; e Francisco Cividanes, do Departamento de Fitossanidade da Universidade Estadual Paulista, Jaboticabal, São Paulo. Os resultados apontaram ser desnecessário o controle do inseto Parisoschoenus obesulus Casey (Coleoptera: Curculionidae), sob pena de contaminar o meio ambiente ante a toxicidade dos inseticidas que são utilizados para combater erroneamente este inseto.
O pesquisador José Inácio de Moura aponta os pássaros como as maiores vitimas, principalmente os insetívoros como o caga-sebo e o gurim, cujo habitat é a zona de Mata Atlântica no litoral sul baiano. “Já faz alguns anos que venho tentando mostrar aos colegas extensionistas e pesquisadores tanto da Bahia, como de outros estados do Brasil, que este inseto não é praga. Mais difícil ainda, tem sido convencer alguns produtores, principalmente àqueles que categoricamente pulverizam os coqueirais e, muitas vezes o fazem sem saber se a praga esta presente ou não”, explica.
O experimento foi conduzido em coqueiral da cultivar anão-verde de cinco hectares, com plantas com 10 anos de idade, espaçadas a intervalos de 7,5 m. Cada planta foi adubada anualmente com 2,5 kg da formulação macro – nitrogênio, fósforo e potássio (20-10-20) – e 200 g de micronutrientes. Adultos de P. obesulus foram obtidos diretamente de frutos abortivos contendo larvas do inseto, trazidos do campo e colocados em caixas retangulares, com perfurações para facilitar a circulação do ar, e contendo uma camada de areia de cinco centímetros no fundo, regularmente umedecida.
À medida que os insetos emergiam, eram sexados, separados e alimentados com pequenos pedaços do mesocarpo. A obtenção contínua de P. obesulus foi possível com a substituição permanente dos frutos nas caixas e do recolhimento de frutos com sintomas de ataque nas inflorescências e os caídos no chão do coqueiral. A unidade experimental estabelecida foi a inflorescência.
Dessa forma, 186 inflorescências ainda envoltas pela espata, e já apresentando sinais de ruptura foram selecionadas em diferentes plantas do coqueiral experimental. A espata de cada uma foi retirada com o auxílio de uma faca e a inflorescência foi coberta por um saco de voile. O delineamento usado foi inteiramente casualizado, com seis tratamentos (estrutura produtiva em diferentes estágios fisiológicos) e 31 repetições (inflorescências; cachos).
Comunicação / Ceplac

