Nestlé, o maior comprador de café e açúcar no Brasil, disse que os preços das commodities devem subir neste ano pois produtores ao redor do mundo não investem para expandir e a demanda por alimentos cresce em velocidade maior do que a da produção. Produtores devem adiar gastos por falta de financiamento e proteção contra queda de preços, disse na sexta-feira o presidente da Nestlé no Brasil, Ivan Zurita. Preços de milho e soja também devem subir. As cotações de commodities agrícolas estão subindo 8,6 % neste ano, após o enxugamento do crédito. “Se os produtores não enxergam um cenário favorável, eles não vão investir”, disse Zurita, que está há 8 anos no comando da Nestlé no Brasil.
“Enquanto isso, as pessoas continuam comendo”, diz o executivo. A demanda por comida deve crescer ainda mais rapidamente quando o crescimento econômico for retomado, e os produtores demorarão mais para aumentar a produção, disse Zurita. “Existe uma demanda reprimida”, afirmou ele. “Você nunca sabe quando os mercados vão reagir.”A unidade brasileira da Nestlé compra 1,5 milhão de sacas de café por ano, cerca de 8% da produção nacional, que neste ano deve cair 15% para 39,1 milhões de sacas de 60 kg, segundo o governo informou em 7 de maio. A Nestlé, com sede na Suíça, compra 220 mil toneladas métricas de açúcar na América do Sul, equivalente a cerca de 1,7 da produção regional. No Brasil a Nestlé possui 28 fábricas e vende 92% de sua produção no mercado brasileiro, disse Zurita.
Valor Econômico

