A última atividade do VI Simpósio de Pesquisa de Cafés do Brasil reuniuespecialistas para um debate sobre as mudanças climáticas globais, nesta sexta-feira (05). Os pesquisadores Ilton Silveira Pinto, da Embrapa Informática Agropecuária, Roberto Antônio Thomaziello, do Instituto Agropecuário (IAC), e Waldir Cintra de Jesus Junior, da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), apresentaram o tema e discutiram com estudantes, extensionistas e pesquisadores as principais questões sobre o assunto.
O VI Simpósio de Pesquisa dos Cafés do Brasil, que reuniu mais de 600 pessoas, foi promovido pelo Consórcio Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento do Café e realizado este ano pelo Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), pela Secretaria de Agricultura, Aquicultura, Abastecimento e Pesca (Seag) e pela Embrapa Café. O evento teve como tema “Inovação Científica, Competitividade e Mudanças Climáticas” e aconteceu no Centro de Convenções de Vitória.
Ilton Silveira Pinto apresentou aos participantes do simpósio os principais cenários que mostram os indicativos climáticos, dados e estatísticas sobre chuvas, temperaturas e umidade no Brasil. “De acordo com o que foi traçado, o Espírito Santo terá quedas de área de produção do café por causa do aumento do calor”, destacou. “Não é para assustar, mas vai ser assim se a temperatura aumentar. A projeção é que a área das lavouras de arábica no Brasil diminua em 33% até 2070. O País vai perder R$ 28 milhões, por ano, com isso”.
O segundo a expor suas idéias foi Roberto Antônio Thomaziello e apresentou algumas medidas para atenuar os efeitos do aquecimento global. Entre elas estão a irrigação, a arborização, o adensamento, o manejo do mato, o desenvolvimento de espécies, podas e a associação de todas essas tecnologias. “A temperatura deverá aumentar nos próximos anos, mas não será uma catástrofe. Com as pesquisas e as tecnologias desenvolvidas poderemos criar alternativas para a resolução do problema”, explica.
O pesquisador da Ufes, Waldir Cintra de Jesus Junior, contribuiu para a discussão ao apresentar as incertezas dos planejamentos já realizados. “Qualquer mudança climática altera o zoneamento agrícola, a produção e as técnicas de manejo. Com o aumento da temperatura e a diminuição da umidade, como ficarão as zonas? E as pragas serão mais resistentes? Haverá água para irrigar? Ficaremos diante de um conflito ambiental” disse o pesquisador.
Em seguida, ele disse que o melhoramento genético aparece como uma possível solução para o problema do aquecimento. “A partir de pesquisas e do melhoramento de plantas, poderemos desenvolver espécies que se adaptem em diferentes climas e regiões. Já existem produtores que plantam café Conilon em regiões um pouco mais altas, por exemplo. O melhoramento genético também tem a função de tornar as espécies mais resistentes às doenças”, complementou.
Premiações
Durante o encerramento do VI Simpósio de Pesquisa de Cafés do Brasil, três trabalhos científicos foram premiados como destaque pelos organizadores do evento. Participaram da mesa os pesquisadores Romário e Maria Amélia Gava Ferrão, do Incaper, o gerente-geral da Embrapa Café, Aimbiré Fonseca, a gerente-técnica da Embrapa Café, Miriam Eira e o senador Renato Casagrande.
Os trabalhos premiados foram coordenados pelos pesquisadores Regina Maria Carneiro, Armando Androcioli e Paulo Henrique Leme, e têm como tema, respectivamente, “Reação de cafeeiros Conilon a diferentes populações de Meloidogyne ssp”; “Avaliação da colheita mecanizada no Paraná e propostas de melhorias de métodos e processos”; e “Um modelo de análise do agronegócio”.
O gerente-geral da Embrapa Café, Aimbiré Fonseca, agradeceu a presença de todos que participaram e trabalharam para a realização do evento no Espírito Santo. “O Simpósio atingiu o que havíamos planejado, com discussões técnicas e aprofundadas. E superou as expectativas com o recorde de inscritos, que passou de 600”.
Beatriz Toso

