Uma pesquisa realizada pela multinacional Nestlé, em parceria com o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) – órgão vinculado à Secretaria de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag) – mostra que 85% dos clones de café Conilon desenvolvidos pelo Incaper correspondem às especificações de qualidade da empresa, e consequentemente, do mercado, já que a multinacional é a maior industrializadora de Conilon do mundo.
O estudo foi apresentado pelo agrônomo Charles Lambot, líder do Centre de Recherche et Développement Nestlé, em Tours, França, durante o painel Avanços tecnológicos do café Conilon: produtividade, qualidade e mercado, realizado na tarde desta quarta-feira (03) durante o VI Simpósio de Pesquisa dos Cafés do Brasil, que acontece até esta sexta (05), no Centro de Convenções de Vitória.
As análises foram elaboradas nos últimos cinco anos, a partir de amostras de grãos das seis variedades lançadas pelo Incaper. Foram estudadas as qualidades bioquímicas – como teor de açúcar, gordura e cafeína – e sensoriais dos grãos, como sabor e aroma.
O diretor presidente do Incaper, Evair de Melo, enfatiza que, no momento em que o mundo tem a garantia da qualidade do produto cultivado no Espírito Santo, o mercado atual será mantido ou até poderá se expandir. “Quando uma empresa como a Nestlé comprova a qualidade do café capixaba, abrimos mercado para o produtor, que por sua vez tem o compromisso de manter esse alto padrão de café desenvolvido pela pesquisa”, disse.
Tecnologias e Mercado para o café Conilon
O coordenador estadual do Programa de Cafeicultura e pesquisador do Incaper, Romário Gava Ferrão, apresentou no evento uma palestra sobre Tecnologias para a Melhoria da Qualidade do Café Conilon. Ele mostrou as principais ações desenvolvidas pelo Governo do Estado para melhorar a qualidade do Conilon capixaba.
O Espírito Santo, por meio do trabalho de pesquisa realizada pelo Incaper, é referência mundial em tecnologia e produção de café Conilon. As novas técnicas de manejo da cultura desenvolvidas pelo Instituto, assim como variedades melhoradas, aliadas à assistência técnica aos produtores, fizeram com que, em 15 anos – de 1993 até 2008 – a cultura apresentasse crescimentos expressivos.
A produtividade média do Estado cresceu 188%, passando de 9,2 para 26,57 sacas beneficiadas por hectare. Já a produção teve incremento de 213%, ao subir de 2,4 para 7,3 milhões de sacas beneficiadas/ano, com um aumento de apenas 11% da área plantada.
O presidente do Centro de Comércio do Café de Vitória, Marcelo Silveira Netto, também fez uma palestra no Simpósio, que tratou do Mercado de Café Conilon.
Ele destacou que o mercado mundial possui uma demanda crescente de Conilon de qualidade. “Mais Conilon poderá ser usado nos blends. Em 2010, somente o Brasil deverá consumir 10,5 milhão de sacas. Com qualidade, podemos também atender, além do mercado interno, a demanda potencial de exportação”, frisou.
Beatriz Toso

