A irrigação dos cafezais é defendida pelos especialistas como medida de economia. Ao aplicar dinheiro em equipamentos o produtor ganha em produtividade. Há 25 anos neste segumento, o pesquisador do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) Rogério Teixeira Faria explica que, sem água, o adubo aplicado no solo se perde. No caso da ferti-irrigação, o suprimento pode ser calculado, o que reduz desperdícios, compara.
O agrônomo Denílson Luiz Pelloso, que assessora a implantação e a manutenção de sistemas de ferti-irrigação, afirma que as plantas são melhor alimentadas com o uso de adubos solúveis em água. “Aplicamos até 16 nutrientes, em vez de cinco ou seis”. Para que não haja aplicação excessiva, a dosagem precisa ser calculada com base em análises técnicas que mostram as condições do solo e das plantas. “O índice de eficiência (aproveitamento de água e adubo) chega a 95%”, relata.
Para não sair decepcionado, segundo Faria, o produtor precisa de “um bom projeto, bons equipamentos e bom manejo”. As condições de cada área devem ser bem avaliadas, orienta. No Paraná, os produtores plantam café em pequenos lotes, boa parte em morros, áreas onde ocorrem menos geadas, mas máquinas e equipamentos chegam com mais dificuldade. Essa condição determina a viabilidade dos projetos.
O pesquisador do Iapar afirma que, além da diferença de custo de R$ 4 mil por hectare no sistema tradicional para R$ 7 mil no sistema de ferti-irrigação, é preciso considerar que a segunda opção exige mão-de-obra mais qualificada. O produtor precisa contratar um técnico ou treinar alguém de sua equipe. A contratação pode ser feita em grupos de produtores.
Pelloso, que representa uma empresa de irrigação de São Paulo, avalia que a adoção de novas tecnologias ocorre de forma lenta no setor. Segundo ele, futuramente o produtor poderá controlar a aplicação de fertilizante e água de um computador, instalado na propriedade ou em qualquer lugar do planeta. Basta que o sistema esteja engatilhado e os comandos possam ser feitos via internet. O sistema de ferti-irrigação, relata, foi desenvolvido no Oriente Médio, onde a falta de água é a regra, não exceção.
O Iapar, com 37 anos de pesquisa, tenta acompanhar essa evolução. Apesar de ter diversificado sua atuação, hoje tem 40 projetos em andamento relacionados à cafeicultura. As pesquisas vão além da irrigação e abrangem, por exemplo, o melhoramento genético das variedades mais produtivas, que também pode ajudar o produtor a superar fases de quebras. A geada, fenômeno que obrigou os produtores do Paraná a arrancar plantações inteiras de café na década de 70, segue como uma ameaça.
Gazeta do Povo

