Com o objetivo de difundir o programa Renovar Arábica, lançado em 2008, o Instituto de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), promove, nesta quinta-feira (07) e sexta-feira (08), duas excursões que vão levar 56 agricultores familiares de Ibatiba para conhecer as variedades de café arábica recomendadas pelo Instituto para o Espírito Santo.
Os agricultores serão recebidos pelos técnicos do Instituto na Fazenda Experimental do Incaper em Venda Nova do Imigrante e receberão informações sobre a cultura dos cafés Tupi e Paraíso, duas das três variedades do café arábica recomendadas para o Espírito Santo. Os cafés Tupi, Paraíso e Obatã – a terceira variedade recomendada – são resistentes à ferrugem e possuem produtividade média de 80 sacas por hectare.
De acordo com o técnico do Incaper, Heraldo Rodrigues dos Santos, o objetivo das viagens é a difusão do Renovar Arábica. “Depois do lançamento do programa, queremos que os produtores conheçam as variedades que possuem produtividade até cinco vezes maior do que o café que produzimos”, destaca Heraldo.
Duas unidades demonstrativas das variedades foram implantadas no município de Ibatiba este ano. Com o desenvolvimento dessas unidades, a idéia é realizar, em dois anos, um Dia de Campo no município.
O Programa Renovar Arábica
O programa será implantado em 49 municípios, numa área de aproximadamente 190 mil hectares, em mais de 20 mil pequenas propriedades de base familiar e que envolvem, em média, 53 mil famílias.
Entre as principais metas, que deverão ser cumpridas em um prazo de 15 anos, está a renovação de 100% do parque cafeeiro de arábica, com variedades recomendadas pelas pesquisas científicas e com a utilização de boas práticas agrícolas. Com isso, será possível dar um salto histórico na produção do café arábica capixaba: dobrar a produtividade, elevando de 12 sacas beneficiadas/ha para 23 sacas e aumentar a produção de dois para quatro milhões de sacas, sem aumentar a área plantada.
O Programa Renovar Café Arábica está inserido no Programa Estadual de Cafeicultura Sustentável, o qual está sendo elaborado com base no Novo Plano Estratégico de Desenvolvimento da Agricultura Capixaba (Novo Pedeag 2007 – 2025), e recebe o apoio do Consórcio Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento do Café (CBP&D Café), da GTZ, entre outros.
Cafeicultura de arábica no Estado
O Espírito Santo é o segundo maior produtor de café do Brasil – com estimativa para 2008 de 10,3 milhões de sacas – e o primeiro de Conilon (7,5 milhões de sacas). A produção capixaba de café representa mais de 25% do total nacional. Se focar a produção de arábica, o Estado fica em 4º lugar no ranking nacional, atrás apenas de Minas Gerais, São Paulo e Paraná, respondendo por 8% da produção nacional de arábica.
A cafeicultura é responsável por 43,6% do Valor Bruto da Produção (VBP) Agropecuária do Espírito Santo. Já o arábica representa 9,3% do VBP capixaba.
A cafeicultura de arábica é uma das principais atividades das regiões Serrana e Caparaó, que são responsáveis por aproximadamente 74% da produção estadual. A atividade está presente em uma média de 20 mil propriedades, oferecendo trabalho a 53 mil famílias e gerando 150 mil empregos diretos. Mais de 75% dos produtores que cultivam esse café são de base familiar, com área de plantio estimada em 4,8 hectares, em altitudes de 400 a 1.200m.
Beatriz Toso

