A exploração e processamento de pinhão manso para uso industrial de biocombustível vai gerar 2.700 empregos diretos na área agrícola capixaba. Essa é a meta anunciada durante assinatura do protocolo de intenções, que aconteceu nesta quarta-feira (15), no Palácio Anchieta, entre o Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag) e a companhia Nòvabra Energia ES S.A. para a exploração do pinhão manso no município de Colatina.
A empresa Nòvabra Energia ES S.A, que já começa a atuar na área a partir da assinatura, tem a perspectiva de produzir 50 mil toneladas/ano de óleo cru, com o objetivo de exportação para a Europa, com investimentos da ordem de 40 milhões de Euros, abrangendo os segmentos agrícola e industrial.
Além disso, a empresa prevê o desenvolvimento de um programa de plantio de 25 mil hectares da cultura de pinhão manso, em até cinco anos, por meio de fomento com pequenos produtores rurais.
Estiveram presentes na cerimônia o governador Paulo Hartung, os secretários da Agricultura, Ricardo Santos, e de Desenvolvimento, Guilherme Dias; o diretor presidente do Instituto Capixaba de Pesquisa e Extensão Rural (Incaper), Evair Vieira de Melo; o presidente da API Nova Energia, sócia majoritária da Nòvabra Energia ES S.A., Ferdinando Maria Brachetti Peretti, o embaixador da Itália, Michele Valensise, dentre outras autoridades.
O governador Paulo Hartung destacou que o Espírito Santo possui profundos laços históricos com a Itália. Para Hartung, a vinda de mais um grupo empresarial italiano para o Estado reforça ainda mais a relação com o País. “Estamos dispostos a contribuir com tudo o que estiver ao nosso alcance para que esse projeto se transforme em realidade o mais breve possível”, disse.
O governador ressaltou a importância da integração entre os produtores rurais e a atividade industrial e frisou que a produção e o processamento do pinhão manso representam mais um passo nesse sentido. Segundo Hartung, a planta agroindustrial em Colatina vai ao encontro do projeto de desenvolvimento sustentável e descentralizado que vem sendo implantado pelo Governo do Estado.
A Seag será responsável pelo apoio técnico institucional à implantação do empreendimento agroindustrial sob responsabilidade da companhia; orientar e subsidiar o Incaper para desempenhar os objetivos consignados no protocolo de intenção; e depois de confirmado o desempenho e adaptabilidade do cultivar pinhão manso, apoiar ações de fomento agrícola da Nòvabra Energia junto a pequenos produtores rurais para fornecimento de matéria-prima à unidade de processamento industrial.
O secretário da Agricultura, Ricardo Santos, destacou as condições favoráveis da Região Noroeste para o cultivo do pinhão manso, que se adapta a grandes períodos de seca e da potencialidade local em disseminar a cultura. “Nossa perspectiva é muito favorável à instalação dessa atividade no Estado, pois além de intensificar os nossos projetos de pesquisa, vai gerar o fortalecimento do pequeno produtor e da agricultura familiar. Além disso, vai aumentar a diversidade da região”, avalia Ricardo Santos.
Energia renovável
“O projeto é muito promissor porque mobiliza diferentes aspectos do desenvolvimento sustentável. Destaco as possibilidades de diversificação da agricultura de base familiar como alternativa de renda. Além disso, do ponto de vista do desenvolvimento regional, os municípios indicados estão no Noroeste do Espírito Santo, uma região que o Governo do Estado vem buscando alternativas para o seu desenvolvimento”, disse o secretário de Desenvolvimento, Guilherme Dias.
Ele lembrou ainda que o projeto, focado em energia renovável, é um desafio internacional e é uma prioridade na política energética do Espírito Santo. “O Grupo API tem tradição na área de energia renovável. Aproveitamos a ocasião para expor outras oportunidades de investimentos no Estado em áreas que a empresa italiana tem experiência, como a energia eólica”.
O diretor superintendente da API Nova Energia, Mauro Sartori, informou que antes de decidirem pelo Estado, foram feitas várias pesquisas em diversos países. “Visitamos várias localidades e destacamos o Espírito Santo como o melhor lugar para o cultivo do pinhão manso, com o solo adequado, um bom clima e uma boa logística para escoar o produto”, afirma.
Pinhão manso
O pinhão manso (jatropha curcas) pertence à família das Euforbiáceas, a mesma da mamona e da mandioca. É um arbusto grande, de crescimento rápido, cuja altura normal é dois a três metros, mas pode alcançar até cinco metros em condições especiais.
A semente de pinhão, que pesa de 0,551 a 0,797 gramas, pode ter, dependendo da variedade e dos tratos culturais de 33,7 a 45% de casca e de 55 a 66% de amêndoa. Nessas sementes, são encontradas, ainda, 7,2% de água; 37,5% de óleo e 55,3% de açúcar, amido, albuminóides e materiais minerais, sendo 4,8% de cinzas e 4,2% de nitrogênio.
Atualmente, essa espécie não é explorada comercialmente no Brasil, mas é uma planta oleaginosa viável para a obtenção do biodiesel, pois produz, no mínimo, duas toneladas de óleo por hectare, levando de três a quatro anos para atingir a idade produtiva, que pode se estender por 40 anos.
De acordo com pesquisadores, o pinhão manso é uma planta produtora de óleo com todas as qualidades necessárias para ser transformado em óleo diesel. Além de perene e de fácil cultivo, apresenta boa conservação da semente colhida, podendo se tornar grande produtora de matéria prima como fonte opcional de combustível. Saiba mais sobre a planta no site www.pinhaomanso.com.br.
API Nova Energia
Estabelecida em 2006, a API Nova Energia é uma companhia do Grupo API, responsável pela produção de energia desde os anos 90. Atualmente, o grupo italiano possui cinco plantas de geração de energia em operação, somando mais de 370 MW, e com outros 360 MW em construção.
Eduardo Brinco

