As vendas no primeiro bimestre deste ano registraram preço 13,78% mais baixo em relação aos dois primeiros meses em 2008. Outro fator que contribui para a apreensão dos produtores de carne de porco é a ausência de abertura de novos mercados no planeta. Os principais destinos da carne suína brasileira em janeiro e fevereiro foram Rússia, Hong Kong, Cingapura, Angola e Argentina, tradicionais compradores da mercadoria.
A crise econômica global, de acordo com o presidente da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs), Pedro de Camargo Neto, afetou fortemente a oferta de crédito no Brasil e, assim, tem prejudicado o desempenho do segmento. “As empresas estão enfrentando dificuldades para contratar recursos, seja para o financiamento de operações de exportação ou para financiar a produção em toda a cadeia produtiva, que vai dos leitões, dos insumos, da ração e da industrialização até os estoques”.
Apesar da queda de preço, as exportações de carne suína surpreenderam de maneira positiva no último mês. Segundo Camargo, o País embarcou 46 mil toneladas neste período, um aumento de 16,74% em relação a 2008. Mas a indústria suína, salienta, nem sentiu o impacto desse crescimento devido aos preços que não remuneram suficientemente a cadeia produtiva nacional.
De acordo com o presidente da Abipecs, o fato das exportações continuarem concentradas nos mesmos países, devido ao Brasil não conseguir formular novos acordo comerciais, faz com que o setor fique dependente da demanda do mercado desses poucos compradores. O Governo Federal, segundo Camargo, não tem obtido sucesso em viabilizar as vendas de carne de porco para o exterior. “A missão do Ministério da Agricultura, realizada em fevereiro na África do Sul, não obteve resultados concretos, postergando mais uma vez a abertura desse importante mercado, inexplicavelmente fechado desde o foco de febre aftosa em bovinos em Eldorado (MS)”.
Entre os países que visitaram recentemente o Brasil, as Filipinas geram grande expectativa. No entanto, o país asiático ainda não liberou os resultados das inspeções veterinárias que executou. Segundo Camargo, os suinocultores também vivem a expectativa de que o Brasil feche acordo comercial com a China. O objetivo, explica, é sempre acrescentar novos países à lista de compradores. “A crise nos obriga a trabalhar mais na busca de novos mercados e a agilizar esse processo”.
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