No ano passado, o Brasil assumiu a liderança no consumo mundial de agroquímicos, posição antes ocupada pelos Estados Unidos. A informação é do presidente mundial do instituto internacional de pesquisa em agronegócios Kleffmann Group, Burkhard Kleffmann.
O resultado deve ser confirmado pelos balanços das principais indústrias do setor. Dados preliminares indicam que os produtores brasileiros compraram entre US$ 6,9 e US$ 7 bilhões em defensivos agrícolas. Já as lavouras americanas, mesmo ocupando uma área consideravelmente maior, investiram US$ 6,7 bilhões nos insumos.
Em entrevista ao Campo Vivo, o engenheiro agrônomo e representante de uma empresa multinacional do setor agroquímico, Iuri Andrade, fala sobre esta liderança brasileira no consumo mundial de produtos químicos na agricultura.
Campo Vivo – Na sua avaliação, quais são os pontos positivos e negativos desta liderança brasileira conquistada em 2008?
Iuri Andrade – O Brasil ter conquistado essa posição mostra o que há muito tempo a gente vem ouvindo, “que o Brasil é, realmente, o celeiro do mundo”. Não é excesso de defensivos, não é uma coisa negativa, mas sim que o Brasil tem despontado, tem área para ser cultivada e ser o país mais importante em termo de fornecimento de alimento para esse mundo que necessita disso a cada ano.
CV – O produtor capixaba tem as informações técnicas necessárias sobre utilização de defensivos e os limites para cada cultura?
IA – Sim, com certeza. Nós temos a felicidade de o Espírito Santo ser hoje um modelo de agricultura para todo Brasil. Além do rigor da fiscalização e da efetiva participação de todos os órgãos estaduais e municipais junto aos produtores, temos as empresas e distribuidoras de defensivos que estão muito presentes no campo, a cada dia levando informação com treinamentos, palestras. E isso acontece o ano inteiro por todas as empresas em todos os níveis de culturas, de produtores. O agricultor capixaba tem tecnologia, tem capacidade, está sendo preparado e tem uma equipe muito boa no campo levando informação para ele.
CV – O uso em excesso de defensivos (afirmação devido a liderança conquistada pelo Brasil no uso de agroquímicos), prejudica o consumidor ou se for feito dentro dos limites exigidos não tem problema algum?
IA – É importante deixar claro que não é uso em excesso, é uma utilização de acordo com o crescimento da agricultura brasileira. Defensivo agrícola é extremamente necessário para que se mantenha a produtividade e, se for usado de forma correta como as empresas indicam, não leva perigo algum para o consumidor. A legislação brasileira é uma das mais rígidas do mundo e as empresas a cada ano lançam produtos mais seguros ao meio ambiente e ao ser humano. Com as novas tecnologias usadas para fabricar produtos, com a tecnologia que o produtor usa para pulverizar e o conhecimento que está tendo disto, o consumidor pode ficar muito tranquilo quando ele vai consumir.
CV – Vale ressaltar a importância da orientação técnica na hora de utilizar os defensivos. O uso de agroquímicos é positivo para uma melhor produtividade, mas é necessário fazer bem orientado…
IA – O produtor não deve em hipótese nenhuma usar um produto químico sem ter conhecimento, sem ter toda informação necessária que é passada pelos técnicos, tanto de órgãos estaduais quanto de distribuidoras de defensivos. Então, é importante que ele tenha esse conhecimento, a informação correta, e mais importante ainda que ele use o equipamento de proteção individual (EPI) para que não tenha nenhum risco a sua saúde, porque ele também é um trabalhador e tem que prezar pela saúde dele.

