Atingidos pelos efeitos da crise financeira mundial, os fruticultores baianos do Vale do São Francisco receberam, na última semana, um novo alento. Atendendo a proposta oficial da Secretaria da Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária do estado, Seagri, o Ministério da Integração Nacional baixou resoluções autorizando a renegociação das dívidas dos produtores e a manutenção em 2009 dos mesmos limites de crédito de antes da crise para empresas exportadoras financiadas pelo Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste, FNE.
Além da Bahia, a medida é benéfica para todos os produtores da região de atuação da Sudene, que abrange os nove Estados do Nordeste, mais o Norte de Minas e Vale do Jequitinhonha, e o Norte do Espírito Santo. Somente na Bahia, o saldo devedor refinanciado alcança a marca de R$ 300 milhões, segundo informa Paulo Sérgio Ferraro, diretor do Banco do Nordeste do Brasil, BNB.
Desde que assumiu a pasta da Agricultura, o secretário Roberto Muniz dedicou atenção especial aos problemas dos produtores do Vale do São Francisco e, em sucessivas reuniões, debateu a questão com representantes dos fruticultores, sindicato rural e agentes financeiros, definindo com eles a proposta, que contou com apoio e empenho do governador Jaques Wagner, e agora aprovado pelo Ministério da Integração. Com este ato, os fruticultores do Vale do São Francisco conseguiram a renegociação das parcelas vencidas a partir de setembro de 2008 e vincendas em 2009, pagando apenas 2% do saldo devedor em atraso. Além disso, poderão tomar novos empréstimos para as safras seguintes. Já as empresas exportadoras, integrantes do Nexport (Programa Nordeste Exportação), poderão contrair empréstimos do FNE até o limite de R$ 40 milhões, nas mesmas condições do ano passado.
As resoluções do Ministério serão submetidas à aprovação da referendum do Conselho Deliberativo da Sudene, composto por todos os segmentos de interesse do setor, do governo aos trabalhadores.
Para o diretor do Banco do Nordeste do Brasil, BNB, Paulo Sérgio Ferraro, a atuação da Secretaria da Agricultura da Bahia como articuladora de todo o processo foi da maior importância, proporcionando o diálogo do governo com os produtores e os agentes financeiros, levando-se a acordar uma proposta que atendesse a todos os interessados, criando condições para o pagamento das dívidas e abrindo possibilidade para novos financiamentos, importantes para a próxima safra.

