Genética é o forte da produção industrial de frango

por admin_ideale

 


A avicultura industrial é um setor ”novo”. Começou a se desenvolver com vigor a partir da década de 70 e ganhou espaço na produção agrícola, principalmente no Paraná – hoje o maior produtor de carne de frango do País e o principal exportador. A despeito dos mitos que envolvem a produção, como o uso de hormônios, o setor conta com uma grande mola propulsora, o desenvolvimento genético.


”É uma cadeia que ‘consome’ um pacote genético produzido nos melhores laboratórios do mundo”, afirma Valter Bampi, diretor-técnico da Associação dos Médicos Veterinários de Londrina e região (Amvet). Segundo ele, são essas tecnologias que têm transformado e contrubuído para a evolução do setor. Junto com manejo adequado, bem-estar dos animais e saúde avícola, a genética tem feito com que a carne de frango seja cada vez melhor.


Bampi revela que algumas dúvidas em relação à produção de frango perduram, mas afirma que isso não passa de mitos, como o uso de hormônios ou antibióticos. ”Não se usa hormônios nos frangos. O processo de engorda da ave está relacionada com a alimentação adequada”, garante o médico veterinário.


Ele explica, por exemplo, que para cada período de vida os frangos recebem um determinado tipo e quantidade de comida: de zero a sete dias é uma ração, de 8 a 14 outra, e assim sucessivamente. A ração é composta basicamente por 65% de milho, 30% de soja (farelo ou integral) e 5% de vitaminas e mineriais (para dar equilíbrio e sustentação óssea. ”Toda empresa que produz carne de frango tem um cuidado nutricional muito grande com a criação”, reforça Bampi.


Além disso, o médico veterinário explica que o fato das aves se desenvolverem e ganharem peso tão rapidamente tem relação com a forma de criação dos animais. Conforme ele, os frangos industriais ficam confinados, não tomam vento, ficam em ambientes com ventilação e temperaturas adequadas. Já o frango caipira, aquele criado no quintal, acrescenta o veterinário, está em sistema externo, sujeito a chuvas, sol forte, então leva uns 100 dias para ganhar peso.


Em relação ao tamanho dos animais e o tempo que demoram para ganhar peso, Bampi conta que depende muito do mercado de destino dos animais. ”Tem mercado que prefere os frangos menores, outros maiores. Depende do interesse de cada região, da cultura e até da economia. E cada empresa tem seu compradores”, comenta. Países do Oriente Médio, cita o veterinário, preferem frangos menores (30 ou 35 dias para abate). O limite para abate é de 50 dias porque depois disso, conforme Bampi, a ave começa a acumular gordura.


No que diz respeito a mercado, o diretor da Amvet ainda acrescenta que os europeus compram mais o peito do frango, os chineses o pé e os japoneses pedem cortes diferenciados, como por exemplo cubinhos de carne de peito. De acordo, com Bampi, nesse sentido a genética contribui muito para o bom desempenho do setor porque consegue desenvolver animais com peito ou coxas maiores, conforme a necessidade. ”Os frangos se tornaram atletas. O desenvolvimento deles não tem nada a ver com hormônios e sim com cruzamentos genéticos e manejo”, frisa o veterinário.


Ele acrescenta que quebrar alguns mitos, como o uso do hormônio ou de antibiótico, é difícil porque a avicultura ainda é um segmento jovem e que cresceu muito rapidamente. Mas afirma que o uso desses produtos é proibido e no Brasil há uma fiscalização rigorosa em relação a isso. Além disso, conforme Bampi, não é economicamente viável aos produtores o uso de hormônios, pois no período de 45 dias (média de abate) não teria efeito algum. ”O trabalho genético é o fundamental para a produção de frango”, completou.


Bampi pontuou que a Amvet também realiza um trabalho de orientação e conscientização para os produtores do setor. Frequentemente promove eventos nas área de genética, manejo e tenta ”uniformizar” a linguagem entre as empresas. O veterinário destacou que em 2006, por exemplo, a entidade se mobilizou para mostrar como controlar e prevenir a doença aviária que atingiu alguns países asiáticos.


 


Folha de Londrina

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