A CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) e a FAEMG (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais) estão empenhadas em obter soluções para a crise da cafeicultura. As entidades aguardam o resultado das negociações que vêm mantendo com o governo em busca de medidas para minimizar os prejuízos que o cafeicultor acumula desde 2001. “Não queremos benesses. Só queremos ter condições de honrar nossos compromissos”, afirma o presidente da Comissão Técnica de Café da FAEMG, João Roberto Puliti.
O cafeicultor enfrenta uma conjunção de fatores desfavoráveis: adversidades climáticas, custos em alta, preços em queda, falta de crédito e acúmulo de dívidas – muitas impagáveis. Na tentativa de reverter este quadro, o presidente da Comissão Nacional de Café e diretor da FAEMG, Breno Pereira de Mesquita, cancelou o recesso do trabalho no final do ano e se divide entre Minas e Brasília. De acordo com Puliti, “procuramos dar todo o subsídio jurídico e técnico ao nosso principal negociador junto ao governo, além de transmitir a ele os anseios do cafeicultor mineiro”.
Dívidas – A principal reivindicação do setor é que a dívida da cafeicultura possa ser paga em produto, em um prazo de 20 anos, transformando o passivo em estoques governamentais estratégicos. Puliti acrescenta que o setor precisa, com urgência, de políticas públicas eficientes, que promovam o equilíbrio do mercado e façam jus à importância da atividade para a economia brasileira. São aproximadamente 300 mil cafeicultores em todo o país e a cadeia produtiva do café gera cerca de oito milhões de postos de trabalho diretos e indiretos, dos quais a metade em Minas Gerais.
Em função da característica de bianualidade da cultura – depois de uma safra cheia segue-se um ano de baixa – a produção nacional deve cair cerca de 20% em 2009, podendo ficar em 36 milhões de sacas. Este volume pode ser ainda menor, devido à baixa remuneração do produtor e a consequente redução do uso de insumos, principalmente fertilizantes. O cafeicultor recebe hoje, em média, R$ 250,00 a saca, para um custo de produção da ordem de R$ 320,00. A Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) já detectou a adoção de práticas de poda para diminuição de produção.
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