Os contratos de etanol na BM&F Bovespa movimentaram US$ 202,8 milhões entre janeiro e junho deste ano. Mesmo com regras que limitam maior presença de agentes na bolsa para negociar esse contrato, o volume financeiro negociado foi superior ao do ano passado em 175,9%.
No primeiro semestre de 2007, os contratos de etanol (que surgiram em maio) e os antigos de álcool anidro (que atualmente não são movimentados), somados, resultaram em volume negociado equivalente a US$ 73,5 milhões, segundo Ivan Wedekin, diretor de produtos do agronegócio e energia da BM&F BOVESPA.
O motivo da maior procura pela Bolsa é o interesse dos envolvidos em fazer hedge – proteção de oscilações de mercado fixando um preço -, devido ao aumento de produção de etanol no País. “A produção pode crescer mais do que o consumo, por isso os envolvidos no setor querem se proteger das oscilações de preços”, avaliou.O número de contratos dobrou nos últimos doze meses, em comparação aos doze meses imediatamente anteriores. Segundo o responsável da BM&F, foram 29.421 contratos negociados entre 1/7/2007 e 30/6/2008 – 56% a mais em comparação ao período de 1/7/2006 até 30/6/2007.
No mês de junho deste ano, até o dia 30, o número de contratos em aberto somava 1.294 – 22% mais do que em junho de 2007. Desse total do dia 30, 92,7% dos agentes em posição comprada são pessoa jurídica não financeira. Na posição de venda, 95,3% equivale também ao mesmo tipo de player.
Segundo Wedekin, a pessoa jurídica não financeira pode ser usina, distribuidor ou exportador. “Esse é um dos melhores indicadores de que um mercado está crescendo. Quanto mais contratos em aberto, mas liquidez no mercado. O aumento de mais de 20% é significativo”, avalia o diretor da Bolsa.
Entraves
O Brasil quer se tornar um país formador de preços para o etanol, assim como ocorre com grãos na Bolsa de Chicago, nos Estados Unidos. No entanto, há de eliminar os entraves que impedem a participação de maior número de negociantes na bolsa. Segundo o diretor da BM&F, 95% dos contratos correspondem aos envolvidos no negócio. “Falta a figura do investidor especulador”, diz. “Não há participação de maciça de fundos ou tesourarias de bancos por conta de limitações. Não existe mercado livre de etanol no mundo, em todos os países há regulamentações que acabam prejudicando a liquidez”, avalia Wedekin. Em Chicago também há negociação de contratos do combustível.
Segundo regra da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), produtores de etanol, no Brasil, só podem vender o produto na bolsa para distribuidores e exportadores. A regra acaba limitando negociações no físico e no mercado futuro. Os fundos de investimentos podem ter problemas para sair de posições e não se arriscam muito.
Saída para aumentar a liquidez desse mercado já foi proposta. Há um artigo no projeto de lei de conversão da Medida Provisória nº 413, ainda em avaliação, que cria a figura de um agente de comercialização: pessoa jurídica que teria o mesmo tratamento tributário de um distribuidor e a alteração abriria espaço para mais um agente de comercialização que não faça parte da cadeia.
Carta para o G8
As quatro principais entidades representativas dos produtores de etanol no mundo – entre elas a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) – enviaram ontem carta conjunta aos líderes dos países do G8 (Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão, Rússia, Reino Unido e Estados Unidos), cobrando uma postura de longo prazo para os biocombustíveis. No documento, os produtores frisam a importância do produto para a redução da demanda e da alta acentuada de preços do petróleo que se observa hoje. “Nos 200 anos em que o mundo vem utilizando combustíveis fósseis, nunca se viu o tipo de cobrança e o nível de expectativas que hoje estão sendo impostas aos biocombustíveis. Até este momento, com a tecnologia disponível, eles são a única alternativa real que temos para reduzir a dependência dos combustíveis fósseis”, diz Marcos Jank, presidente da Unica.
DCI – Diário do Comércio & Indústria

