O Dia Nacional do Apicultor, comemorado nessa quinta-feira, 22 de maio, este ano tem sabor especial para os produtores de mel. Com a suspensão do embargo imposto pela União Européia, maior mercado para o mel brasileiro, as perspectivas são de aumento da produção e nos preços do produto.
“Ainda será preciso esperar por volta de seis meses, um ano, para que o país e, principalmente, Minas Gerais, voltem a produzir mel em escala maior. Mas a suspensão do embargo da União Européia, que já durava quase três anos, foi realmente um notícia animadora”, afirma o Coordenador Estadual de Pequenos Animais da Emater-MG, Dirceu Alves Ferreira.
A apicultura no Brasil emprega cerca de 300 mil pessoas (direta e indiretamente) e tem a produção anual de 40 mil toneladas. Entretanto, a restrição européia ao produto criou forte impacto negativo na produção interna. O embargo significou a perda do maior importador de mel brasileiro, a Alemanha. Atualmente, o país que substitui o primeiro lugar da Alemanha é o Estados Unidos, com 12 mil toneladas/ano.
“Com a perda do principal país consumidor, o mercado interno ficou saturado do produto. Resultou em um super abastecimento, o que fez com que o preço do produto despencasse”, diz Ferreira. Em 2005, o balde com 25 quilos de mel era comercializado por R$ 130. Atualmente, a mesma quantidade do produto é vendida por R$ 50. O número de colméias em produção em Minas também despencou. De 280 mil em 2005, para 190 mil neste ano. Hoje, o Estado tem 4.500 apicultores que produzem 5 mil toneladas anualmente, das quais 1.700 toneladas são exportadas. Indiretamente, a produção de mel envolve 42 mil pessoas.
Segundo Ferreira, perder um grande mercado consumidor sempre traz prejuízos à produção, mas no caso do mel o impacto foi pior por causa do baixo consumo interno. “O brasileiro tem o costume de consumir mel somente como medicamento, enquanto os americanos e os europeus o consomem como alimento”, explica o coordenador da Emater-MG. A disparidade de consumo entre as culturas pode ser traduzida em números. No Brasil, um habitante consome em média 300 gramas do produto por ano. Já na Europa, o consumo per capita é de três quilos no mesmo período.
“É uma pena o brasileiro ter esse hábito. Junto com o ovo, o mel é o alimento mais rico em minerais, vitaminas, proteínas e carboidratos. Seria necessário um bom trabalho de marketing para divulgar a qualidade nutricional do produto”, lamenta Ferreira.
O coordenador da Emater-MG explica que o Brasil tem condições muito propícias para a produção de mel: clima, matas nativas e plantadas, disponibilidade de água. É possível produzir mel durante o ano todo, enquanto países europeus, EUA, Rússia, Argentina só podem produzir durante seis meses.
17º Congresso Brasileiro de Apicultura
O Brasil sofreu o embargo europeu sob a alegação que o produto estava contaminado de impurezas, principalmente cloranfenicol. Justamente para discutir as boas práticas de produção e processamento é que a Federação Mineira e a Confederação Brasileira de Apicultura realizarão entre os dias 1º e 4 de junho o 17º Congresso Brasileiro de Apicultura.
A Emater-MG coordenará debates e oficinas durante o evento. O coordenador estadual de Pequenos Animais da Emater-MG, Dirceu Alves Ferreira, será o mediador do debate “Boas Práticas de Produção e Processamento”, além de coordenar duas clínicas tecnológicas sobre o mesmo assunto. O coordenador técnico da Emater-MG de Montes Claros, Luis Fernando Chaves Mendes, será responsável pelo curso “Manejo de Apiário”. Aproximadamente 30 técnicos da Emater-MG participarão do Congresso, que acontece durante a Superagro 2008, no Expominas, em Belo Horizonte. As informações são da assessoria de imprensa da Emater de Minas Gerais.
Agrolink

