Ministra do Meio Ambiente se demite e volta para o Senado

por admin_ideale

 


A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, pediu demissão ontem alegando dificuldades enfrentadas “há algum tempo” para continuar implantando a agenda ambiental em nível federal. Entre os favoritos para sua sucessão se destacam o secretário do Ambiente do Estado do Rio, Carlos Minc (PT), que teria sido sondado pessoalmente pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, há dois meses, e o ex-governador do Acre, Jorge Viana, que é próximo ao presidente da República.


Marina Silva retorna ao Senado para reassumir o mandato, que termina em 1º de janeiro de 2011. Ela ocupará o lugar do suplente Sibá Machado, também do PT do Acre. O pedido de demissão de Marina foi feito por carta ao presidente Lula e entregue ao chefe de gabinete da Presidência da República, Gilberto Carvalho.
Marina não detalhou as dificuldades que estaria enfrentando, mas dá a entender que não tinha respaldo político.


“As difíceis tarefas que o governo ainda tem pela frente sinalizam de que é necessária a reconstrução da sustentação política para a agenda ambiental”, diz. Segundo ela, em alguns momentos, só foi possível avançar devido ao envolvimento “direto e pessoal” do presidente Lula.


Os favoritos
O nome de Carlos Minc ganhou força depois que, na última segunda-feira, o presidente, na solenidade de lançamento das obras do Arco Metropolitano, fez em seu discurso um longo elogio ao secretário pela rapidez como resolvera impasses ambientais no Estado do Rio.


O convite, no entanto, só teria sido feito na tarde de ontem. O presidente Lula teria telefonado para o governador Sérgio Cabral para pedir que Minc seja liberado de suas funções no Estado e assuma a pasta do Meio Ambiente. Cabral, segundo sua assessoria de Imprensa, “considera o desempenho de Minc uma revelação e entendeu e atendeu a solicitação do presidente”.


Minc, no entanto, já havia embarcado para Paris, onde integra uma missão oficial do governo.


Já o ex-governador do Acre Jorge Viana (PT) trabalha atualmente na iniciativa privada, e é tido como amigo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, além de ter receptividade no setor ambiental. Outra possibilidade seria a opção pelo irmão dele, o senador Tião Viana (PT-AC). Os irmãos Viana são também aliados políticos de Marina.


Amazônia Legal
A Câmara dos Deputados colocou ontem à noite uma pá de cal na saída de Marina Silva. Foi aprovada a Medida Provisória nº 422/08, que aumenta de 500 para 1.500 hectares o limite da área que pode ser vendida pela União para uso rural, sem processo de licitação, na Amazônia Legal. A ex-ministra era contra a MP e vai defender sua posição no retorno ao Senado, para onde vai a MP nº 422.


O relator Asdrúbal Mendes (PMDB-PA), autor do projeto de lei que o Executivo transformou em MP, afirmou que o projeto apenas regulariza uma situação já existente na região e não foi responsável pela saída de Marina Silva. Segundo ele, a queda da ex-ministra já era previsível.


“Ela criou rotas de colisão principalmente na Casa Civil”, disse o parlamentar, ao se referir à posição da ex-ministra contrária à construção de novas hidrelétricas na Amazônia, previsto pelo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), previstas no leilão das usinas de Santo Antônio e Jirau, no rio Madeira (RO). Por isso, disse, “a Amazônia não está triste com a saída da ministra”.


Na opinião do relator, a MP “permitirá ao longínquo produtor da Amazônia ser dono de sua terra”. Na prática, a medida legaliza as áreas públicas nas mãos de posseiros na Amazônia. Para entidades ambientalistas, como o Greenpeace, a MP representa o início do PAG (Programa de Aceleração da Grilagem).


Depois do PAC (Plano de Aceleração do Crescimento) – que já ameaçava a Amazônia – agora temos o PAG (Plano de Aceleração da Grilagem), que apenas vem confirmar nossos temores de que o governo optou pelo pragmatismo eleitoreiro”, afirma Paulo Adario, coordenador da campanha de Amazônia do Greenpeace. “O mais grave disso tudo é que essa medida acontece no momento em que os índices de desmatamento na Amazônia voltam a subir e o governo se diz empenhado em evitar a destruição.”


Para o deputado Sarney Filho (PV-MA), a aprovação da MP no dia da demissão de Marina é simbólica porque o projeto sequer foi discutido com o Ministério do Meio Ambiente. O ministério não foi ouvido, houve muita reclamação”, disse Sarney Filho.


Na opinião dele, a aprovação da medida é permitir o aumento do desmatamento.


 


Estado de São Paulo

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