Crise dos alimentos: oportunidades para o Brasil O preço do arroz registrou alta de 141% nos últimos quatro meses. O trigo custa 130% a mais que há 12 meses e o preço do milho é o mais caro da década. Soja, leite, carnes também estão com preços internacionais bem acima da média histórica. Essa disparada no custo dos alimentos deixou 100 de milhões de famintos no mundo, principalmente nos países pobres. Segundo a FAO, num país rico o consumo de alimentos é responsável por 10 a 20% do orçamento familiar. Num país pobre, por 80%. Houve o rompimento de um longo ciclo de preços baixos na agricultura. Fruto da expansão da fronteira agrícola e do desenvolvimento tecnológico, os preços médios dos alimentos caíram 75%, de Mas, o cenário atual aponta para uma nova “era de preços altos”. A justificativa é que os problemas climáticos de 2007, que reduziram a produção agrícola em vários países, ganharam companhia de fatores estruturantes. O aumento de consumo em nações emergentes, a alta nos custos do petróleo, a disputa entre biocombustíveis e alimentos por terra nos Estados Unidos e os ataques especulativos de fundos de investimento no setor de commodities agrícolas são exemplos que mantêm em alta os preços dos alimentos. Hoje, cada chinês consome 50kg de carnes por ano. Em 1985, eram apenas 20kg. E, quanto maior o consumo de carnes, maior o consumo de grãos. Para se ter uma idéia, são consumidos em média 8kg de grãos para se produzir 1kg de carnes. Com barril de petróleo acima de 100 dólares, elevam-se os custos de fertilizantes, operação de máquinas agrícolas e transporte de mercadorias, itens importantes na composição dos preços agrícolas. E o Brasil, nesse contexto? Por aqui, a crise abre uma oportunidade fantástica. Somos imbatíveis nos três principais vetores que determinam a competitividade do agronegócio: conhecimento científico e tecnológico, clima favorável e área disponível para agricultura. Temos 62 milhões de hectares cultivados e outros 220 milhões com pastagens, dos quais 90 milhões são aptos para agricultura. Segundo ex-ministro Roberto Rodrigues, desses 90 milhões de hectares, 22 milhões são aptos para a produção de biocombustíveis e 68 milhões, para a produção de alimentos. Sem derrubar uma árvore sequer, poderemos dobrar a cultivada atualmente. E, graças ao incremento tecnológico na pecuária, produzimos cada vez mais carne e leite, em menores espaços. Portanto, o Brasil tem todas as condições favoráveis para se tornar o principal fornecedor mundial de bioenergia e de alimentos. As nossas vantagens comparativas permitirão a solução de um problema de escala planetária, sem qualquer agressão ao meio ambiente. E, se os países ricos da União Européia, os Estados Unidos e o Japão reduzirem seus subsídios e protecionismos à agricultura, mais cedo ainda se confirmará esse cenário. Enio Bergoli Eng. Agrônomo, especialista em Administração Rural e Secretário de Estado de Gerenciamento de Projetos
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