Com irrigação, produtividade das lavouras pode até dobrar

por admin_ideale

 


A agricultura brasileira vai ultrapassar neste ano a marca de 4 milhões de hectares irrigados, ou 7,5% do total da área cultivada no País. Novos sistemas de irrigação devem alcançar 150 mil hectares, o acréscimo de 41,4% sobre os 106,1 mil hectares de 2007. Trata-se do melhor desempenho em dez anos, informa Marcelo Borges Lopes, presidente da Câmara Setorial de Equipamentos de Irrigação (CSEI), vinculada à Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).


Um terço dos 150 mil hectares a serem irrigados neste ano receberá sistemas de fertirrigação por gotejamento da Netafim, uma das líderes globais do setor, com 14 fábricas no mundo, uma delas em Ribeirão Preto, no interior paulista. Na carteira de negócios da Netafim para este ano, a cana-de-açúcar está à frente, com 23 mil hectares, seguida por citros, com 11 mil hectares, café, com 9 mil, e outras culturas, com 4,5 mil hectares.


“Com a fertirrigação por gotejamento, a produtividade dessas culturas pode dobrar”, diz Flávio Aguiar, gerente nacional da divisão de bioenergia e novos negócios da Netafim. “A cana é uma das plantas com maior capacidade de converter fatores de produção — como água, luz e nutrientes — em produção propriamente dita”.


Devido à venda de sistemas de irrigação por gotejamento para as culturas canavieiras, a Netafim projeta um crescimento de 177,8% no faturamento de 2008, que deverá alcançar R$ 150 milhões.


“A Netafim instalou fábrica no Brasil, em 2000, por causa dos citros e do café, mas hoje a cana responde pela maior parte do faturamento da empresa”, conta Aguiar. “A cana, que representava 7% de nossa receita em 2006 (de R$ 41 milhões), passou a responder por 26% das vendas em 2007 (R$ 54 milhões) e por 70% do faturamento previsto para 2008 (R$ 150 milhões)”, informa Aguiar.


A área de canaviais a ser irrigada por este sistema quadruplicará neste ano, saindo de 8,5 mil hectares em 2007 para 34 mil hectares (sendo 29,5 mil com sistemas da Netafim) em 2008. Segundo Aguiar, não está incluída nesta área um total de 230 mil a 250 mil hectares (dos 7,3 milhões de hectares plantados com cana) que recebem vinhaça por canhão ou sulcos na terra.


O salto será possível, segundo Aguiar, graças a um investimento de US$ 1 milhão que a companhia fez nos últimos anos para adaptar, testar e aprimorar o sistema de fertirrigação por gotejamento para os canaviais.


Segundo Aguiar, a Netafim implantará esses sistemas em canaviais de Alagoas, Maranhão, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais e Pernambuco. “A irrigação encontra seu espaço em áreas onde a produtividade é baixa”, afirma o diretor da Netafim, empresa de origem israelense que desenvolveu a tecnologia de fertirrigação por gotejamento.


Segundos técnicos da Netafim, o cafezal irrigado produz 50 sacas por hectare, ante 25 a 30 sacas da cultura de sequeiro. Numa lavoura nova de café, o investimento de R$ 5 mil por hectare em irrigação é pago com 20 sacas de café (a R$ 250 a saca), sobrando 30 sacas para o plantio e tratos culturais por dois anos e meio. Incluem-se na conta duas sacas por ano para a manutenção, funcionamento e energia.


Café e laranja


O potencial de irrigação é grande na cultura de café e também na de citros. “Em 1996, o Brasil tinha 720 mil hectares de citrus, sendo 15 mil irrigados. Hoje, dos 650 mil hectares, 145 mil são irrigados, sendo 70 mil por sistemas de gotejamento da Netafim”, contabiliza.


O custo de fertirrigação por gotejamento de um pomar de laranja varia de R$ 3 mil a R$ 4,5 mil por hectare. A produção, que no sequeiro é de 700 caixas de 40,8 quilos por hectare, irrigada pode saltar para 1,2 mil a 1,5 mil caixas por hectare.


Gazeta Mercantil

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