Indústria sucroalcooleira aquecida multiplica contratos

por admin_ideale

 


Dona de um aquecimento muito rápido, a indústria sucroalcooleira viu a demanda e os preços para a realização de novos projetos subirem. Com poucas companhias, nesse mercado especializadas em gerenciar esses empreendimentos – por meio da modalidade de contrato chamada “turn-key”, em que todo o estudo e construção de uma nova planta é coordenado por uma empresa contratada e entregue pronto -, as indústrias têm optado por segmentar o negócio e coordenar elas mesmas os contratos com os diferentes fornecedores.


É o que estão sentindo alguns escritórios de advocacia, responsáveis por administrar estes contratos. “Onde antes eu tinha que gerenciar apenas um contrato, hoje são pelo menos três”, conta o sócio da Lefosse Advogados, José Eduardo Manassero. A migração está sendo notada principalmente em projetos de infra-estrutura como a expansão de uma fábrica ou a construção de uma nova usina, tanto por empresas já tradicionais no mercado como por novos investidores, internos e externos.


Manassero calcula que a escolha pela contratação de um turn- key pode ficar até 20% mais cara que o procedimento segmentado. Isso se dá, explica, porque ao optar por uma única coordenadora para o projeto, a empresa ganha na praticidade do gerenciamento de responsabilidades e riscos, centralizados em uma figura única.


“Temos notado a opção por alternativas ao turn-key principalmente nos últimos dois ou três anos, com o aumento de start ups vindo para o Brasil para negócios em infra-estrutura, energia e etanol”, conta Manassero. Ele ressalta que, do “ponto de vista do conforto”, o turn-key é mais adequado para as empresas que estão entrando pela primeira vez em um determinado mercado. No entanto, lembra que, ao optar por gerenciar ela mesma a contratação dos fornecedores, acaba adquirindo maior conhecimento do setor.


Poucos players


Para José Dias, sócio do Demarest & Almeida Advogados, uma das razões para o alto custo e prazo maior nos empreendimentos feitos por turn-key está “na falta de players” que lidem com isso no mercado. “Não chega a meia dúzia o número de empresas especializadas em gerenciar projetos na área de cana e etanol. Já se o investidor quiser buscar individualmente cada um dos fornecedores que precisa, vai encontrar uma gama muito maior de opções. Há, digamos, cem mil empresas habilitadas a fazer obras civis no País, cem mil para a parte elétrica, entre outras. Indo direto a elas, fica naturalmente mais rápido e mais barato”, analisa o advogado.


“É uma necessidade específica desse mercado, nesse momento”, completa Dias, referindo-se ao aumento dos investimentos no setor sucroalcooleiro e ao fato de, sendo um fenômeno relativamente recente, esse mercado ainda estar em fase de amadurecimento. “Para construir uma usina hidrelétrica, por exemplo, eu não tenho limite de fornecedores por turn-key, mas para uma usina de cana de açúcar a demanda está muito alta”.


Outro lado


Para Pedro Seraphim, sócio da área de energia do escritório Pinheiro Neto, acontece justamente o contrário. Por serem mais seguros, os contratos em turn-key continuam sendo a opção mais procurada. “Não fico surpreso que haja uma economia de custo, mas o turn-key ainda é mais vantajoso. Uma única empresa cuida de contratar tudo, ela é a responsável por tudo perante o proprietário”, explica. “Essa proteção é justamente de onde vem o custo alto”.


Gazeta Mercantil

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