O Brasil é a “bola da vez” para receber investimentos estrangeiros. Assim opinou Antenor Nogueira, presidente do Fórum de Gado de Corte da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), sobre a notícia da elevação da nota de risco de crédito do País, na última quarta-feira, pela agência de classificação de risco Standard & Poor”s (S&P).
Ainda segundo a visão de Nogueira, com a falta de alimentos no mundo, qualquer setor do agronegócio brasileiro será boa aposta atualmente.
Para entender melhor, a partir de um determinado patamar de classificação de risco o país é considerado “grau de investimento”. O risco de calote é muito baixo. Dessa forma, os fundos de investimento estrangeiro direcionam mais recursos para países com essa classificação.
“O boi, o etanol, a soja e o milho, enfim, as commodities de maneira em geral são investimentos garantidos e de liquidez imediata”, comenta Nogueira.
Antes mesmo da alteração da nota de risco, na quarta-feira, o agronegócio brasileiro já estava na mira dos fundos estrangeiros de investimentos. A pecuária e o etanol são exemplos de segmentos onde há atuação desse tipo de investidor. Segundo Nogueira, pecuaristas, principalmente de Goiás, têm feito parcerias com fundos investidores para a engorda do boi nos últimos dois anos. A pecuária goiana tem atraído esses investidores porque concentra entre 70% a 80% do gado confinado do Brasil que traz retorno rápido.
O ex-ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, acredita que haverá um forte crescimento na produção agrícola do Brasil. “Já temos uma dúzia de fundos atuando em diversos setores no País que estavam na expectativa do grau de investimento. Agora deve haver um crescimento maior, também pela conjuntura entre oferta e demanda por alimentos”. Rodrigues vê também um problema: a grande entrada de dólares irá tornar o real ainda mais forte e deve haver aumento de custos e redução nas exportações. “Mesmo assim, o produtor ficará com uma posição mais forte no mercado internacional”.
Plínio Nastari, presidente da Datagro Consultoria, especialista no setor sucroalcooleiro, acrescenta que o grau de investimento obtido pelo Brasil será muito benéfico no sentido de reduzir os custos de captação das empresas no exterior. Esse segmento já vem recebendo fluxo de aportes estrangeiros, o que deve acentuar a partir de agora, com o interesse de fundos de pensão que geralmente só aplicam seus recursos em países que possuem a classificação “grau de investimento”.
DCI

