O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, anunciou medidas para aumentar em 25% a produção nacional de trigo já na safra 2007/08, que começa a ser colhida em julho. O governo quer reduzir a dependência das importações, evitar novas altas do preço no país e se prevenir de elevações ainda maiores no exterior. Alguns pontos foram decididos no início da semana: reajuste de 20% no preço mínimo do produto e ampliação do limite de financiamento para o plantio das lavouras de R$ 300 mil para R$ 400 mil.
Nos últimos 12 meses, o preço da tonelada do trigo subiu 90% no país, passando de R$ 490 para R$ 780 – no exterior, subiu 103%.
Stephanes disse que será colocado no mercado R$ 1,2 bilhão para crédito ao triticultor, e as indústrias poderão contratar empréstimos do governo federal para formar estoques o ano inteiro.
“O patamar do preço ao consumidor (de derivados como pães e massas) já foi estabilizado. Não há mais razão para novo aumento”, disse o ministro.
Stephanes lembrou que o Brasil importa 70% do trigo que consome: – Só não dá para produzir mais porque faltam sementes.
Para Rosemeire dos Santos, da Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), as medidas atendem à necessidade a curto prazo, mas não são suficientes para alavancar a cultura no país. Christian Saigh, do Sindustrigo (fabricantes de São Paulo), reclama do preço mínimo.
Com o reajuste de 20%, o valor passou para R$ 480 a tonelada, mas no mercado custa cerca de R$ 780. Mesmo assim, ele acredita que o crescimento da produção poderá atender a 45% do consumo interno.
O Globo

