Demanda muda perfil nos embarques do café robusta

por admin_ideale

 


A dinâmica dos embarques do café do tipo robusta mudou em 2008 e fez com que as vendas do trimestre aumentassem 88,9%, passando de 123,7 em 2007 para 233,8 mil sacas de 60 quilos neste ano. No comparativo de março, os números cresceram 189,9%, saindo de 52,6 para 152,4 mil sacas de 60 quilos. Líder mundial na exportação do tipo arábica, o País normalmente destina o robusta para o mercado interno, que consome em torno de 7 a 8 milhões de sacas ou cerca de 60% da produção nacional, grande parte na indústria de café solúvel.


Nos últimos doze meses, de acordo com o Conselho dos Exportadores de Café (Cecafé), as exportações do tipo robusta ficaram em 1,5 milhões de sacas. Para este ano, especialistas do setor estimam que os embarques devem girar em torno de 2 e 2,5 milhões de sacas. “Não é uma tendência, mas uma conjuntura gerada pela safra menor do Vietnã e o atraso no fluxo dessa produção para o mercado”, analisa Gil Barabach, analista da Safras & Mercado. Avalia ainda que como esse país é o maior produtor mundial do robusta juntamente com a Indonésia, onde a safra começa a ser colhida neste mês, a tendência foi buscar o grão aqui no Brasil. Com o preço elevado, a indústria não conseguiu cobrir o que era pago pelos importadores e impedir essa fuga do produto.


Já para Mauro Malta, diretor executivo da Associação Brasileira da Indústria Café Solúvel (Abics), o que está acontecendo é uma mudança de perfil do consumidor de café no mundo. “O café solúvel é mais prático. Como a população mundial está mais velha e procura facilidades, esse crescimento é natural”, analisa. Além disso, ele vê uma tendência clara e consistente no aumento do consumo principalmente em países como China e Índia, onde o apelo em torno da novidade é maior.


Na safra 2002/03, o Brasil chegou a exportar cerca de 5 milhões de sacas do tipo robusta impulsionado pela safra recorde de 50 milhões de sacas. “Mesmo assim, os números positivos mostram que o conilon brasileiro tornou-se competitivo no mercado”, disse Guilherme Braga, diretor do Cecafé.


Natan Herszkowicz, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), diz que “os números ainda não são preocupantes em relação a uma possível falta do grão para a indústria, pelo menos neste ano”.


Gazeta Mercantil

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