JBS pode voltar a comprar no País

por admin_ideale

 


A maior indústria frigorífica do mundo pode voltar a se expandir no Brasil. Ontem, o presidente do JBS, Joesley Batista, admitiu possíveis compras no País. Segundo analistas de mercado, os frigoríficos Independência e Garantia estariam na “mira” do Friboi.


Atualmente, o JBS tem uma capacidade de abate no Brasil de quase 19 mil animais por dia, enquanto a do Independência é 9,5 mil e a do Garantia, 2,3 mil. As empresas negaram os boatos de mercado. Ontem, as ações do JBS encerraram em alta de 8,12%, cotadas a R$ 7,19, na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa).


“Da mesma forma que eu disse que não assistia oportunidades no Brasil, começo a mudar a minha visão. Para 2009 vamos ter várias oportunidades no Brasil”, afirma Batista, acrescentando que a partir do segundo semestre deste ano algumas indústrias poderão enfrentar dificuldades – principalmente aquelas que operam mais com carne in natura (no Independência, este segmento representa 70%) – diante do atual cenário do mercado, com os custos mais elevados e com a diminuição das vendas para a União Européia. Mas o próprio JBS também não está tão bem. Em 2007, a empresa obteve prejuízo de R$ 165 milhões, sendo R$ 136,1 milhões no último trimestre. De acordo com o presidente da empresa, o resultado foi prejudicado pelas variações cambiais. A compra da Swift americana também influenciou, uma vez que a margem EBITDA nos Estados Unidos foi negativa (1,4%), enquanto no Mercosul ficou positiva em 15,1%.


“É estranho o Friboi falar em comprar depois de anunciar um prejuízo. Mas, por outro lado, as indústrias começam a entrar em uma fase de resultado negativo”, diz o diretor da AgraFNP, José Vicente Ferraz. Segundo ele, as empresas de porte médio é que seriam as mais vulneráveis. Opinião semelhante tem o analista Fabiano Tito Rosa, da Scot Consultoria. “A situação das empresas está bastante difícil. Mas no caso específico do Independência, parece estar rentável “, diz. O analista Paulo Molinari, da Safras & Mercado, também não descarta possibilidades de compras do Friboi e, do mesmo modo, acredita que possam ocorrer mais em pequenas e médias indústrias. “O que não é o caso do Independência. Mas também não é impossível”, afirma.


Batista não confirmou novas aquisições fora do Brasil – além das três últimas, nos Estados Unidos e Austrália, realizadas no mês passado e que ainda dependem da aprovação dos órgãos de defesa daqueles países. “Em 2008 vamos integrar as operações e nos beneficiar dos investimentos de 2007”. Ele acrescenta que, os resultados negativos nos Estados Unidos também foram impactados por uma “atitude irracional” dos concorrentes que aumentaram os volumes, diminuindo as margens de todo o setor. Mas diz que ao olhar para o passado, usaria a mesma estratégia.


O presidente do JBS afirmou ainda que, na quinta-feira, os acionistas devem decidir sobre a entrada de um novo fundo na companhia, que possibilitará a concretização das últimas aquisições. Segundo ele, a família cederia direitos para que esta mudança ocorresse. Com o novo fundo, a empresa receberia um aporte de US$ 1 bilhão, além de US$ 500 milhões da família ou dos minoritários.


Gazeta Mercantil

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