A presença do palmito na mesa do consumidor capixaba durante a Semana Santa está diretamente relacionada aos plantios econômicos de palmáceas produtoras de palmito em diversas regiões do Espírito Santo.
A proibição da retirada de plantas nativas das matas capixabas, fez o agricultor consciente investir em plantios com finalidade comercial para garantir a oferta no vegetal à população.
Dados do Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Espírito Santo (Idaf) revelam que a extração do palmito nativo das matas capixabas diminui a cada ano, enquanto a extração do palmito plantado apresenta um número significativo.
Segundo os técnicos do órgão, em 2003 foram extraídas 9.444 unidades de palmito nativo no Estado, já em 2008, nenhuma licença foi emitida autorizando a retirada de palmáceas nativas para comercialização. Já a extração de palmito plantado registrou 21.105 unidades este ano, até o momento, metade do que é comercializado no Espírito Santo. O restante é proveniente de plantios comerciais da Bahia.
Implantado em 2004 pela Secretaria de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aqüicultura e Pesca (Seag), o Programa de Cultivo e Repovoamento de Áreas Rurais com Palmeiras Produtoras de Palmito contribui para diminuir a pressão sobre o remanescente nativo desta planta no Espírito Santo.
Segundo o presidente do Incaper, Enio Bergoli, essa mudança de hábito extrativista é resultado das campanhas de conscientização, da fiscalização da extração ilegal e do fomento de plantios comerciais de palmáceas, que fornece condições de rentabilidade aos produtores. “O cultivo de palmáceas concilia aspectos econômicos e ambientais. Portanto, trata-se de uma atividade diretamente ligada ao conceito de desenvolvimento rural sustentável”, completa Bergoli.
Desde a implantação do Programa, que tem como objetivo contribuir para o desenvolvimento socioeconômico dos agricultores familiares e promover o repovoamento florestal e ecológico do Estado, o Incaper já disponibilizou 4,2 milhões de mudas de palmáceas em parceira com o Ministério de Meio Ambiente (MMA), Idaf e prefeituras, das variedades pupunha, real, açaí, juçara e amargoso, a produtores de 40 municípios do Estado. Esta quantidade foi suficiente para implantar 840 hectares com espécies produtoras de palmito.
O Incaper mantém campos de produção de sementes nas Fazendas Experimentais de Venda Nova do Imigrante, Alfredo Chaves, Marilândia e Viana e em viveiros municipais.
As variedades
Palmito Juçaí
É um híbrido resultante do cruzamento das espécies juçara e açaí.
Tem como características principais o sabor do juçara, a boa quantidade de massa comestível por planta e a capacidade do açaí de perfilhamento, que garante produção anual de novas palmeiras.
Palmito Juçara
É uma espécie típica das matas úmidas das regiões serranas, próximas ao mar, ocorrendo espontaneamente por todo o litoral sul e sudeste do Brasil.
Caracteriza-se por oferecer um palmito branco e doce, um dos mais apreciados para consumo. No Espírito Santo, foram identificadas várias populações silvestres desta palmeira, tendo sido selecionadas as mais promissoras para a reprodução, localizadas, principalmente, na Região Serrana do Espírito Santo.
Palmito Açaí
É uma espécie típica das regiões quentes e úmidas, nativa do Norte do Brasil e própria para cultivos na região litorânea do Espírito Santo.
A partir da identificação deste material, geneticamente promissor, o Incaper produz e distribui sementes desta espécie na Fazenda Experimental de Alfredo Chaves.
Os trabalhos com o açaí são orientados para os sistemas de produção em consórcio, que visam a diversificação agrícola. A planta tem como característica positiva a formação de touceiras com diversos estipes, oferecendo palmito de boa qualidade, além de ser mais precoce que o juçara.
Palmito Pupunha
A pupunheira é uma espécie típica dos trópicos úmidos americanos. Dentre as palmáceas estudadas, é a mais precoce, possibilitando exploração comercial a partir dos 24 meses. As plantas formam touceiras com elevado perfilhamento, o que a caracteriza como lavoura permanente.
Palmito Amargoso e/ou Palha Branca
Existem diversas espécies de palmeiras que produzem o palmito amargoso. Todas possuem haste única e produção a partir do quarto ano. Normalmente são rústicas e o palmito é bem valorizado.
Palmeira Real Australiana
É uma espécie de palmácea proveniente de regiões tropicais e subtropicais da Austrália que foi amplamente introduzida em vários estados brasileiros. É cultivada adensada, com 12 mil plantas por hectare, produz palmito de excelente qualidade e inicia a produção no terceiro ano.

