A expansão da cultura da cana-de-açúcar, temida por uns e desejada por outros, intensificou-se nesta safra. Mas o esperado aumento de ganhos do produtor ainda não ocorreu. A tonelada de cana está sendo comercializada a R$ 35 ou R$ 36, valor insuficiente para cobrir os custos de produção, estimados em aproximadamente R$ 46, pela Comissão Nacional de Cana-de-Açúcar, da Confederação Nacional da Agricultura. E não há perspectiva de melhora.
O presidente da comissão, Edison Ustulin, acredita que o preço atual será mantido até o fim da colheita da atual safra, prevista para ter início em abril. Segundo ele, o crescimento da produção, que foi estimulado pelo governo para aumento da produção de álcool, não foi acompanhado pela capacidade de venda do País. “Estamos com uma produção muito além da demanda, tanto interna quanto externa, e a conseqüência disso é a queda dos preços”, diz.
Edison Ustulin afirma que os grandes grupos empresariais podem suportar os atuais preços porque têm escala e contam com financiamentos. Já o produtor independente, alega, não tem fôlego para manter a produção. “Se não acontecer um fato novo, não haverá remuneração dos custos e ninguém investe para perder”, reclama.
O presidente da Comissão Nacional de Cana pede medidas urgentes do governo federal para reverter a atual situação. Ele sugere a inclusão da cana na política de preços mínimos do governo, um programa de financiamento voltado para os produtores com taxas de juros menores, a liberação para as usinas comercializarem álcool hidratado diretamente para os postos de combustível, a unificação do ICMS para o produto e o aumento do preço do álcool.
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