Indústrias paulistas já pagam pelo uso da água

por admin_ideale

 


A falta de consenso entre o setor produtivo e o governo estadual sobre a aplicação dos recursos provenientes da cobrança pelo uso da água no início do processo, no ano passado, fez com que muitos industriais fossem contrários a ela. Mesmo o Brasil dispondo de 13,3% de toda a água própria para consumo , há dois anos o Conselho Nacional de Recursos Hídricos aprovou a proposta de cobrança, elaborada pelos Comitês de Bacia Hidrográfica dos rios Paraíba do Sul e da Bacia dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí. Com a definição de novas diretrizes para o uso destes recursos, a indústria está revendo seu posicionamento, especialmente aquelas estabelecidas nas bacias onde já existe a cobrança.


É o caso da empresa Caterpillar, que está instalada na cidade de Piracicaba e começou a pagar pelo uso da água no ano passado. “Hoje vemos a cobrança como algo necessário, importante para o desenvolvimento de projetos que contemplem planos de recursos hídricos e de saneamento”, afirma o engenheiro Silvio Bridi Neto. Para ele, a cobrança teve caráter educativo, já que foi desenvolvido um outro nível de consciência ambiental na empresa. “Criamos um sistema de gerenciamento do recurso hídrico, que inclui a substituição de máquinas, torneiras, canos e vazamentos. Além disso, implantamos um projeto de reuso da água, no qual conseguimos economizar 15% do consumo”, explicou.Para Anícia Pio, especialista do Departamento de Meio Ambiente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), ainda é preciso corrigir algumas deficiências na atuação dos comitês de bacias e destinar a eles maior percentual dos recursos arrecadados. “A indústria tem participado desde o início da discussão sobre a cobrança e nossa proposta é que todo dinheiro arrecadado seja investido nas próprias bacias”, defende. De acordo com Anícia Pio, estes investimentos devem atender a garantia de qualidade e quantidade para os múltiplos usos da água e não exclusivamente para suprir a ausência de investimentos em saneamento durante décadas.


Lei e suas conseqüências


O Artigo 1º da Lei estabelece que a cobrança pelo uso da água tem como objetivos: reconhecer que a água é um bem público de valor econômico; incentivar seu uso racional e sustentável; assegurar recursos financeiros suficientes para aportar programas e intervenções contemplados nos planos de recursos hídricos e saneamento.


O setor produtivo tem se adiantado às medidas governamentais na adoção de mecanismos voltados ao aproveitamento racional dos recursos hídricos. A própria empresa Caterpillar implantou sistemas de reaproveitamento e de racionalização da água há cerca de três anos, quando a lei ainda era um projeto. A água é ingrediente final de muitos produtos, sobretudo nos setores de fármacos, alimentos e bebidas. Outro emprego deste bem pela indústria é na execução de processos industriais, em que o recurso é utilizado para produzir vapor e gerar força motriz, e também em vários processos produtivos ou reações químicas. A água é usada, ainda, para consumo humano direto (em bebedouros, chuveiros de vestiários, rega de áreas verdes, limpeza das instalações) e para apagar incêndios.


Estímulo


Há três anos, a indústria paulista tem estimulado a implantação e desenvolvimento de projetos de reaproveitamento da água, com a promoção do Prêmio Fiesp de Conservação e Reuso da Água. Este ano, a vencedora foi a empresa Lwarcel Celulose e Papel Ltda., do Grupo Lwart, que é especializada no fornecimento de celulose branqueada de eucalipto para a indústria papeleira, a partir de matérias-primas provenientes de florestas manejadas de forma sustentável. A segunda colocada foi a multinacional Unilever, seguida pela Braskem S.A e, na categoria de pequenas empresas, a vencedora foi a Opersan, que atua como prestadora de serviços de tratamento de efluentes industriais de diversos segmentos, como empresas metalúrgicas e automobilísticas, fabricantes de tintas e outras.


Os programas da Lwarcel incluem a mudança da tecnologia de tambores rotativos para lavadores tipo DDwasher na lavagem da celulose, o reuso da purga das torres de resfriamento, o reuso da água de resfriamento de amostra de condensados e sistema de selagem das bombas de água de alimentação da caldeira de recuperação, o reuso de rejeitos da osmose reversa como parte do fornecimento de água industrial para a fábrica, o reuso de água e energia térmica produzidas no digestor na máquina secadora, o reuso da água de selagem das bombas de vácuo dos lavadores de massa marrom e a redução no consumo de água potável.


Gazeta Mercantil


 

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