Qualidade comprovada eleva em 18,5% a cotação do café

por admin_ideale

 


O processo de certificação de propriedades cafeeiras de Minas Gerais deverá valorizar o preço da saca do café em até 20%. Cotado em média a R$ 270,00 a saca de 60 kg do tipo 6 bebida dura, a rastreabilidade poderá elevar esse valor para até R$ 320,00 a saca. Responsável por 50% de toda a produção nacional do grão, as exportações geraram uma receita de US$ 2,5 bilhões para o Estado no ano passado.


Com isso, o café – carro chefe do agronegócio mineiro – respondeu por 52% das vendas do setor, sendo que o produto tem como seus principais compradores Estados Unidos, Alemanha e Japão. A importância que a commodity ocupa no mundo e o peso que tem para Minas, a Secretaria da Agricultura estadual planeja certificar pelo menos 500 propriedades até o fim deste ano – e 1.500 até o 2011.


“A primeira fase do projeto consiste na certificação de todas as propriedades. O objetivo é atender todas as normas da legislação para obter um produto com mais qualidade”, afirma Wilson Lasmar, assessor especial para café da secretaria. Ele explica que as normas abrangem basicamente regras ambientais na instalação da propriedade, manuseio de defensivos e obrigações trabalhistas com os funcionários. Além disso, a adequação favorece o controle da produção, e da entrada e saída de insumos e outros itens.


Já a segunda fase, consiste na certificação do produto e garante a qualidade e a rastreabilidade do grão colhido. “É uma tendência mundial. Dentro de algum tempo todo mercado internacional deverá exigir certificação. Até o doméstico”, prevê. Ele diz que a demanda interna cresce a uma velocidade de 5% ao ano. Hoje o país é o segundo maior consumidor de café no mundo.


Com a crescente preocupação sobre a utilização consciente e responsável dos recursos naturais, a certificação e a rastreabilidade seriam parte das respostas para controlar a utilização de defensivos nocivos à saúde e utilizados em larga escala nas lavouras como um todo. Luiz André Guerra, produtor da cidade de Machado, sul de Minas, concorda com essa tendência e diz que “a preocupação é principalmente em relação ao meio ambiente”, afirma. “Todo o processo de adubação da terra, outorga da água e aplicação dos defensivos será acompanhado”.


A demanda por produtos com rastreabilidade tem crescido na região. Guerra lembra que alguns defensivos liberados por aqui, são proibidos em outros países “que acabam desistindo de negócios devido à falta de controle de qualidade”. A assistência técnica é fornecida gratuitamente pela secretaria em parceria com a Emater/MG para os pequenos produtores e as orientações são dirigidas a grupos formados em média de 20 pessoas.


Gazeta Mercantil

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