As instituições que compõem o setor produtivo da cafeicultura de Conilon no Espírito Santo vão intensificar o trabalho de assistência técnica aos produtores capixabas, para garantir a eficiência e a qualidade do processo de secagem aplicado à produção do café Conilon.
O acordo foi ajustado nesta semana, durante a reunião promovida da sede do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) com todas as instituições com atuação na atividade.
O processo de secagem, quando manuseado de modo inadequado, compromete seriamente a qualidade da produção, impedindo que o grão do café atinja padrão mínimo para a produção de bebida. Isso ocorre quando aparecem agentes “estranhos” às propriedades características do café.
Participaram da reunião o secretário de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aqüicultura e Pesca (Seag), César Colnago; o presidente do Incaper, Enio Bergoli; o presidente da Associação Brasileira da Indústria do Café Solúvel (Abics), Mauro Moitinho Malta; representantes da Nestlé; o presidente do Sindicato da Indústria de Café do Espírito Santo (Sindicafé), Egídio Malanquine; o presidente do Centro do Comércio de Café de Vitória (CCCV), Marcelo Netto; o presidente da Cooperativa Agrária dos Cafeicultores de São Gabriel (Cooabriel), Antônio Joaquim de Souza Neto; o superintendente do Centro de Desenvolvimento Tecnológico do Café (Cetcaf), Frederico Daher; o diretor da Associação dos Produtores de Café da Região Serrana do Espírito Santo (Pronova), Evair Vieira, e os dirigentes da Federação da Agricultura do Espírito Santo (FAES); da Federação dos Trabalhadores da Agricultura do Espírito Santo (Fetaes); da Cooperativa Agrária dos Cafeicultores de Aracruz (Cafeicruz) e da Cooperativa dos Cafeicultores do Sul do Estado do Espírito Santo (Cafesul).
Ficou acertado que as instituições darão início, imediato, a ações que apresentem e convençam aos produtores alternativas viáveis e práticas para proceder de modo correto a secagem dos grãos.
“Os produtores tem que ter consciência que o maior prejudicado com a ineficiência da secagem são eles mesmos. O café de má qualidade não tem espaço no mercado, que atualmente é muito competitivo. Vamos realizar um esforço conjunto, Governo, prefeituras, empresas, instituições e produtores para estabelecer um padrão uniforme e eficaz para secar o café, e isso tem que ser imediato, pois a colheita do café já começa em abril”, destacou o secretário de Estado da Agricultura, César Colnago.
Os técnicos do Incaper, em conjunto com outros profissionais de instituições parceiras que trabalham no desenvolvimento de tecnologias para a cafeicultura, já está editando um material informativo com as recomendações adequadas para repassar aos produtores. Outra ação que já está em curso é a produção de uma campanha generalizada no Estado para aumentar as fontes de informação capazes de facilitar o acesso do cafeicultor às técnicas eficientes.
Basicamente, os cuidados que o produtor deve ter para garantir a qualidade do café, após a fase de produção, é colher os frutos apenas quando mais de 80% estiverem maduros, transportar a colheita no mesmo dia para os espaços de secagem, utilizar terreiros (de cimento, de tijolos ou suspensos) e estufas para secar o café, e no caso de secadores mecanizados, dar preferência ao secador que utiliza fornalha de fogo indireto, observando que o prazo de secagem deve ser de
Entenda o caso
A presença de odores estranhos em lotes de Conilon colocados no mercado, em 2007, comprometeu a venda do produto capixaba para alguns centros consumidores. Laudos de empresas compradoras apontam que o café não apresentava padrão mínimo para produção de bebida, principalmente pela presença de um cheiro forte de café “queimado” e de fumaça.
Técnicos que acompanham a atividade, afirmam que essa interferência nos aspectos sensoriais da bebida tem relação direta com o processo de pós-colheita do café, principalmente durante a secagem dos grãos. Muitos produtores utilizam métodos inadequados para ganhar tempo e economizar recursos financeiros.

