Leite pode ser estrela do campo

por admin_ideale

 


Muitos fatores internos e externos, conjunturais e de mercado podem levar o leite a ser a estrela do agronegócio na próxima década. A economia brasileira já viveu os ciclos da cana-de-açúcar, da borracha, do café e, recentemente, do crescimento da produção e das exportações da soja, do frango e da carne bovina.


Nos últimos dez anos, a produção nacional de leite cresceu 33%. De acordo com dados do IBGE, a produção do País subiu de 18,5 bilhões de litros em 1996 para 24,5 bilhões em 2005, com um aumento médio de 3,3% ao ano. Em 2006, chegou a 25,5 bilhões de litros e a expectativa é que em 2007 tenha crescido de 5% a 6%, e a produção tenha passado dos 26,5 bilhões de litros de leite ao ano.


Marcelo Pereira de Carvalho, agrônomo e diretor-executivo da Agripoint, mostrou que em 2004, pela primeira vez na história do Brasil, a balança do leite registrou exportações acima das importações. A partir daí as exportações aumentaram a cada ano. Apesar de, nos últimos anos o consumo interno de leite também ter crescido a produção nacional aumentou acima disso.


A permanecer nesse ritmo, a perspectiva é que o Brasil tenha um superávit de quase 5 bilhões de litros de leite destinados ao mercado externo, o que coloca o País entre os cinco maiores exportadores mundiais do produto. Atualmente, as exportações nacionais de leite equivalem a 600 milhões de litros por ano e o País é o sexto maior produtor de leite do mundo. Os principais produtores são União Européia, Estados Unidos, Índia, China e Rússia.


As perspectivas para o setor em 2020 são positivas. Adotando uma visão otimista a média de crescimento da produção leiteira nacional deverá ser de 4,9% ao ano. Sob uma visão mais pessimista, esse ritmo de crescimento deve ser de 2,2%.


Boas perspectivas para o setor


Dentre os cenários traçados, o mais provável, denominado Crescimento continuado, mas heterogêneo, pode ser considerado aquele que as pessoas ligadas ao segmento entendem como o mais provável, resultado das forças atuantes e já conhecidas. Nele, cresce a produção de acordo com taxas históricas e superiores ao aumento do consumo. O resultado será um superávit estrutural destinado ao mercado externo que atingirá, em 2020, quase 5 bilhões de litros ao ano.


Neste cenário, permanece a tendência de concentração na produção e se intensifica na indústria. O setor mantém um nível de inovação suficiente para desenvolver o mercado de forma competitiva e obtém algum sucesso em iniciativas envolvendo sustentabilidade do setor, como o marketing institucional. A qualidade da matéria-prima evolui, mas a informalidade persiste em níveis razoáveis. O setor avançará, mas vários desafios atuais continuarão sem solução.


No segundo cenário, denominado Leite, a Nova Estrela do Agronegócio, avalia-se que o segmento responda às boas perspectivas para o setor no Brasil e no mundo. São realizados fortes investimentos em novas plantas industriais, o que estimulará o aumento da produção de leite a taxas significativamente acima da média histórica.


Mesmo com um satisfatório aumento do consumo interno, calcado no trinômio renda/marketing/inovação, os excedentes para exportação serão consideráveis, atingindo 10 bilhões de litros de leite ao ano em 2020 e o Brasil se inserirá definitivamente no mercado internacional. A concentração na produção será significativa e o mercado operará com um mínimo de interferência governamental.


A Região Sudeste continuará sendo a principal região produtora, seguida da Região Sul, que diminuirá a diferença. O leite adquire contornos mais próximos dos verificados na Nova Zelândia e Estados Unidos, com produção ancorada na escala e na eficiência de custos.


Futuro deve ser melhor


“O leite não precisa de área nova para crescer”, afirmou Marcelo Pereira de Carvalho, diretor-executivo do Agripoint, ao apresentar o estudo sobre cenários possíveis para o leite. Segundo ele, a produtividade média da pecuária leiteira é de 1.200 kg/ha ao ano, porém, as tecnologias disponíveis permitem elevar esse rendimento para 15 kg/ha anuais.


Representantes das entidades promotoras do estudo argumentam que a produção de biocombustíveis não compete com o leite. Essas atividades, ao ao contrário, podem reduzir os custos com alimentação, uma vez que os resíduos industriais podem servir como alimento volumoso para o gado.


Ainda que grandes grupos industriais entrem no processamento de leite, como fez a Perdigão e o frigorífico Bertin, Marcelo Pereira diz que os pequenos produtores de leite devem permanecer nos cenários futuros. Atualmente, 52% do leite produzido no Brasil vem de agricultores familiares.


Segundo o representante do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), essa permanência deve ser garantida por medidas como a inclusão do leite no Programa de Garantia de Preços da Agricultura Familiar (PGPAF), a formação de 50 técnicos agrícolas voltados para a cadeia do leite em cada estado e a disponibilização de R$ 12 bilhões para o Pronaf, sendo que cerca de R$ 5 bilhões destinados a investimento e, 60% desses recursos destinam-se à produção leiteira.


Jornal de Brasilia

Você também pode gostar

Reset password

Enter your email address and we will send you a link to change your password.

Powered by Estatik

Este site usa cookies para melhorar a sua experiência. Vamos supor que você está de acordo, mas você pode optar por sair, se desejar. Aceitar