A crise da cafeicultura e a busca de instrumentos que possam garantir a sustentabilidade da produção e melhor renda para os cafeicultores dominam as discussões em diversos fóruns nacionais e internacionais, envolvendo setor público, sociedade civil e setor privado. Dentro do Agrocafé – Simpósio Internacional de Café, isto não poderia ser diferente. No painel “A tendência do mercado mundial”, coordenado por Sílvio Leite, presidente da Associação dos Produtores de Café da Bahia (Assocafé), e palestras de Sérgio Tristão – da Tristão Cia Comércio Exterior Ltda; Jair Coser, presidente da Unicafé; e Joaquim Líbano Ferreira Leite, da Cooxupé, crescente preocupação sobre o desenvolvimento sustentável da cafeicultura, dentro desse processo, o comércio internacional foi colocado em xeque.
Sérgio Tristão foi o primeiro a se pronunciar. Ele apresentou em gráficos a evolução do mercado mundial e os fatores que tem contribuído para a difusão do café dentro e fora do país.
Já para o presidente da Unicafé, Jair Coser, o futuro da cafeicultura mundial está no Brasil. “Somente o Brasil tem condições de atender a demanda mundial de produção”, afirma. De acordo com Coser, o consumo mundial cresce cerca de 2% ao ano e “em 10 anos o mundo vai consumir mais de 25 milhões de sacas por ano, portanto, este mercado vai depender do Brasil que é o maior produtor do grão no mundo”, ressalta. Coser acredita que a atividade agrícola em poucos anos será a mais rentável do país. “Nós ainda vamos ganhar muito dinheiro com o café”, avalia.
A imagem
Para Joaquim Leite, houve uma mudança drástica na imagem do café. “O produto passou de ultrapassado à moderno. Antigamente só as gerações mais velhas gostavam de tomar, hoje este quadro é diferente”, salienta, dizendo que a bebida traz atualmente uma imagem nova relacionada ao prazer. Ele atribui essa mudança, entre outros fatores, ao Conselho de Café e Saúde, que difundiu a complexidade dos grãos levantando todas as qualidades do café e os benefícios que causa à saúde se tomado em quantidade moderada. “Antes o mundo tinha uma visão negativa do produto, que foi abolida a partir da divulgação de inúmeras pesquisas”, completa.
O superintendente de Mercado Externo da Cooxupé mencionou ainda as certificações que visam qualidade e uniformidade de produtos, com alguma inspiração nos padrões das normas de qualidade internacional. Associado a isso, a nível de consumidor principalmente no exterior, mas também no Brasil, cada vez mais a consciência e preocupação, sobre a situação crítica vivida pelos produtores e sobre os impactos do meio ambiente, aumentam (aspectos sociais e ambientais). Essa situação, tem levado à transformações no mercado de café nos últimos anos, promovendo uma maior diversificação de produtos e o surgimento de nichos de mercado, os chamados Cafés especiais – specialty coffees, que se baseiam em padrões ambientais, sociais, de qualidade e origem.
Joaquim Leite citou como exemplo certificações como a 3A, 4C, Utz Kapeh, Eurepgap e outras. “Os cafés certificados são comercializados em um valor superior ao de mercado e isso agrega valor ao produto”, avalia, dizendo que o café sempre foi um assunto extremamente financeiro. “Historicamente o café é muito desvalorizado”, afirma.
O princípio de uma cafeicultura sustentável se baseia no equilíbrio entre a oferta e demanda, a existência de produto de qualidade, produzido com responsabilidade social e ambiental, com uma maior transparência e rastreabilidade de mercado, que promove a agregação de valor ao longo de toda a cadeia e contribui com uma imagem positiva do setor. As informações são da assessoria de imprensa do evento.
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