Lista da UE tem fazenda que nunca vendeu bois

por admin_ideale

 


A lista de 106 fazendas habilitadas para a exportação de carne bovina “in natura” para a União Européia tem de “tudo um pouco”. Há propriedades de tradição na pecuária de corte, criação para instituição de pesquisa com apenas 60 cabeças, agricultora que começou na atividade no ano passado e ainda nem vendeu bois, além dos chamados “rebanhos mistos”, com machos direcionados para o gancho dos frigoríficos e fêmeas para a produção leiteira.


 


Esse é o caso de Agesandro Pereira, dono das fazendas Lagedinho e São Mateus, no município de Ataléia (MG). Pereira aguarda a visita de técnicos europeus na próxima semana.


 


Há 20 anos na pecuária, Pereira aderiu ao Sisbov (Serviço Brasileiro de Rastreabilidade da Cadeia Produtiva de Bovinos e Bubalinos) em 2004. Controla todo o rebanho, atualmente em 1.800 cabeças, formado com gado guzerá (voltado para carne) com vacas leiteiras da raça holandesa. A produção está em 650 litros/dia.


 


Desde o início do rastreamento, Pereira relata ter obtido “benefício econômico”. O Frisa, de Nanuque (MG), frigorífico habilitado a exportar para a UE, ofereceu a ele R$ 1 a mais por arroba de boi “com brinco” (rastreado). Em janeiro deste ano, o pecuarista negociou cem animais com a indústria, dessa vez com R$ 4 de prêmio.


 


Volume modesto


 


Patrícia Rogenski De Geus, dona da fazenda De Geus, em Nova Ubiratã (MT), é “marinheira de primeira viagem” na pecuária. Agricultora há seis anos no Estado, ela entrou na pecuária de corte em 2007.


 


O rebanho começou com 200 cabeças da raça nelore. A primeira venda deve ser fechada na metade do ano. “Planejo negociar de 80 a 100 animais.” De Geus se surpreendeu com a habilitação. “De todo o Estado [Mato Grosso], foram escolhidas apenas quatro fazendas. E a minha, que começou há tão pouco tempo, é uma delas.”


 


De Geus afirma desconhecer ainda o mercado pecuário. “Até hoje nunca nenhum frigorífico me procurou para comprar gado.” A decisão de rastrear todo o rebanho decorreu da expectativa de obter remuneração melhor, diz a agropecuarista.


 


Quantidade de gado também modesta tem a Fepagro, em Tupanciretã (RS). A propriedade pertence à Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária. Lá se realizam estudos sobre a consorciação de pastagens com bosques de acácia negra. O diretor da fazenda, José Flores Savian, relata que o rastreamento é realizado desde 2005. Atualmente há apenas 60 animais de raças européias. Lote de 30 prontos para o abate deve ir para o frigorífico Mercosul de Bagé (RS) ainda neste mês.


 


As fazendas Brasília e Santa Helena, de Baixo Guandu (ES), têm tradição na pecuária. “A família cria há mais de 60 anos”, diz Rubens Garcia Rodrigues Neto. Ao todo são 760 animais, a maior parte nelore. Os Rodrigues vendem, por ano, 500 cabeças. De olho na exportação, rastreiam o gado desde 2002, início do Sisbov. Na segunda-feira, recepcionam técnicos da missão européia.


 


Como funciona


 


As fazendas habilitadas não exportam diretamente para a União Européia. Os bovinos das propriedades devem ser enviados para frigoríficos certificados pela UE. Essas indústrias abatem os lotes e preparam os cortes “in natura”.


 


Atualmente a União Européia autoriza apenas a compra de 106 fazendas -87 de Minas Gerais, 11 do Rio Grande do Sul, 4 de Mato Grosso, 2 de Goiás e 2 do Espírito Santo.


 


Os outros Estados do país enfrentam restrição do bloco econômico. No caso de Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo, ainda por efeito dos focos de aftosa perto da fronteira com o Paraguai no fim de 2005.


 


 


FOLHA DE S. PAULO – SP

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