Minas Gerais tem 87 das 106 fazendas liberadas pela União Européia para exportação de carne in natura, o equivalente a 82% das propriedades citadas. O Triângulo é a região do Estado que detém o maior número de fazendas listadas. São 41 em 12 municípios distintos, números muito superiores às 11 propriedades que receberam o aval no Rio Grande do Sul, às quatro do Mato Grosso, e às duas de Goiás e do Espírito Santo. A decisão do Bloco, que chegou a suspender a compra da carne brasileira no início do ano, foi comunicada pelo embaixador da UE no Brasil, João Pacheco. Segundo ele, a medida foi tomada com base em uma lista enviada pelo Governo brasileiro, no início da semana, e que atende às exigências de certificação da rastreabilidade. A liberação já entrou em vigor.
Frigoríficos e autoridades mineiras viram com bons olhos a decisão, mas não chegaram a comemorar. O secretário de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais, Gilman Viana Rodrigues, confirmou a maioria mineira na lista, mas considerou ainda “insignificante” o número de fazendas liberadas. “Houve uma abertura diplomática, mas a dúvida agora é saber quando a União Européia irá liberar novas fazendas”, disse. Até a semana que vem, entre 15 e 20 fazendas mineiras devem ser visitadas por veterinários europeus. Outras 27 propriedades serão inspecionadas.
O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Minas Gerais (Faemg), Roberto Simões, considerou a divulgação da lista um pedido de trégua. “Com isso, a Europa disse que não quer brigar. E a predominância das fazendas mineiras mostra as excelentes condições de nosso gado”, afirmou, lembrando a necessidade de se seguirem as regras de controle de qualidade.
Já para o diretor da Associação dos Frigoríficos de Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro (Afrig), Arthur Coutinho, que também é presidente da Frisa, com sede em Nanuque, é preciso muito mais. “Das quase 300 fazendas que nos fornecem os animais, apenas 10 apareceram na lista. Ainda é muito pouco”, reclamou. Em 2007, a Frisa enviou para a UE 30% de sua produção, num total de US$ 20 milhões.
A União Européia restringiu o ingresso da carne in natura do Brasil no dia 1º de fevereiro, por considerar que as propriedades brasileiras não estavam cumprindo os requisitos de rastreabilidade, assumidos em acordo de 2002. “Agora, tudo parece estar correto”, afirmou o embaixador da UE no Brasil, referindo-se às 106 propriedades.
Hoje em Dia – MG

