Dirigentes de entidades de pecuaristas e da indústria frigorífica consideraram como positivo, ontem, o anúncio pela União Européia (UE) do credenciamento de 106 fazendas brasileiras para fornecimento de animais aos frigoríficos que exportam carne para o bloco. Embora positivamente surpresos com a autorização, antes mesmo de concluída a auditoria que técnicos da UE estão realizando no País, as lideranças da cadeia da carne reclamaram de não ter ficado claro se essa lista pode voltar a ser suspensa, caso seja constatada alguma irregularidade nas 27 fazendas que estão sendo visitadas pelos veterinários europeus.
O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Goiás (Faeg), Macel Caixeta, diz que nem o governo brasileiro nem os produtores podem se perder em brigas estéreis com a União Européia. “Temos de admitir que o Ministério da Agricultura errou em não orientar devidamente o produtor e em credenciar certificadoras a torto e a direito sem também exigir delas nada voltado a instruir o produtor sobre as normas dos Sisbov”, diz Macel Caixeta.
Confiabilidade
Sisbov é o Sistema Brasileiro de Identificação e Certificação de Origem Bovina e Bubalina, implantado no País a partir de 2000, como conseqüência das demandas de rastreabilidade da carne apresentadas pela União Européia. “O que precisamos agora é mostrar para o mundo que temos carne de qualidade, que temos tecnologia apropriada, um dos rebanhos da mais alta genética e disposição para implementar um sistema de rastreabilidade com credibilidade”, diz o presidente da Faeg.
O presidente do Sindicato das Indústrias de Carnes do Estado de Goiás (Sindicarne-GO), José Magno Pato, também não acredita que hostilizar a UE seja o melhor caminho. Segundo ele, a liberação de uma lista de propriedades habilitadas a exportar para o bloco, ainda que restrita, mantém aberta a possibilidade de uma solução definitiva para o impasse.
“Precisamos começar do zero e elaborar uma proposta factível de rastreabilidade”, diz Magno Pato, que também exige punição exemplar para quem fraudar o programa. “Devemos mostrar que, além de competentes para produzir carne, também somos sérios nas relações com nossos parceiros”, diz o presidente do Sindicarne.
O Popular – GO

