Minas pode entrar na lista da Europa

por admin_ideale

 


A Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa) desmentiu ontem a informação de que as propriedades rurais do Estado estariam excluídas da lista das fazendas aptas a exportar carne bovina para a União Européia (UE). “Certamente estaremos na lista pelo simples fato de Minas possuir um dos maiores rebanhos do Brasil e estar livre de doenças. Não tem como a União Européia fazer vista grossa”, salientou o diretor-geral do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), Altino Rodrigues Neto.


Terceiro maior rebanho bovino do país, com 21 milhões de cabeças de gado, Minas está entre os seis Estados habilitados a exportar carne à União Européia. Também estão incluídos Goiás, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Mato Grosso e Espírito Santo. A habilitação é concedida aos Estados que não possuem histórico recente de febre aftosa.


O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) também não soube confirmar a suposta exclusão de Minas das 300 fazendas que irão compor a lista das propriedades credenciadas a exportar carne ao continente europeu. “Não existe nada de oficial. Não sei nem informar quais Estados serão inclusos nessa vistoria”, observou o secretário substituto de Relações Internacionais do Agronegócio do Mapa, Lino Colsera.


A apresentação de uma lista de 300 propriedades atende ao pedido das autoridades européias. Uma primeira lista de 2.681 fazendas foi apresentada em janeiro em Bruxelas, mas os países do bloco não aceitaram a relação. A apresentação de uma lista muito maior do que o esperado levou a UE a suspender as importações de carne do Brasil a partir do dia 1º de fevereiro.


Segundo Altino Neto, a União Européia apenas exige o acordo firmado com o governo brasileiro em 2002, quando o Mapa se comprometeu a implantar um sistema de certificação nos moldes europeus.


“O problema é que muitas empresas credenciadas pelo Mapa para certificar as propriedades rurais não fizeram o trabalho como deveriam”, explicou o diretor-geral do IMA. Hoje existem cerca de 50 empresas certificadoras no país. Nos últimos meses, salientou Altino Neto, cerca de 20 empresas foram descredenciadas.


O próprio IMA, a pedido do Mapa, auditou no mês passado 1.710 propriedades rurais em Minas Gerais. Dessas, 1.283 atendiam perfeitamente os quesitos da UE sobre rastreabilidade. As propriedades irregulares, frisou Altino Neto, pecaram, na maioria dos casos, por falta de informação.


“Verificamos que as empresas certificadas pelo Mapa sequer compareciam às fazendas para orientar os produtores rurais, o que é um absurdo. Faltou orientação e informação. Tinha fazendeiro que não sabia como utilizar os procedimentos básicos da rastreabilidade”, completou o diretor do IMA. No ano passado os embarques de carne bovina atingiram cerca de US$ 4 bilhões.


Acordo da rastreabilidade é de 2002


Mecanismo básico para controlar a criação do gado, a rastreabilidade é uma exigência da União Européia para consumir a carne bovina brasileira. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e UE firmaram em 2002 acordo em que a carne brasileira teria o controle de rastreamento similar ao da Europa. E o procedimento estabelecido não é tão complicado. A primeira coisa a se fazer é adquirir um sistema que faça a identificação individual do animal, explicou o diretor-geral do Instituto Brasileiro de Agropecuária (IMA), Altino Rodrigues Neto.


O produtor também deve se preocupar em ter na sua propriedade rural um livro para anotar todos os procedimentos feitos em seu rebanho, desde a sua alimentação até os medicamentos que utiliza. O fazendeiro deve adotar um rigoroso controle de todos os animais que entram e saem de sua propriedade.


“São esses detalhes que barram a negociação da carne bovina no exterior. Se houver uma dúvida sobre a procedência da carne em alguma gôndola de supermercado na Europa, ela será facilmente solucionada se a carne for rastreada”, explicou o dirigente do IMA.


Uma boa estrutura física também é essencial. O produtor não pode se esquecer de vacinar regularmente o seu rebanho. Em Minas é obrigatória a vacinação contra febre aftosa e brucelose. Todas elas devem ser catalogadas no livro de registros.


O Tempo – MG

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