Crise da carne fragiliza ministro

por admin_ideale

 


O embargo da União Européia (UE) à carne brasileira e a avalanche de confusões e desentendimentos decorrentes do caso têm enfraquecido o ministro da agricultura, Reinhold Stephanes, junto ao setor produtivo e ao governo. Fonte ligada ao PT e à Presidência da República informou, ontem, que a saída do ministro já é ventilada nos gabinetes. Outros comentam que Stephanes poderia deixar o cargo para concorrer à Prefeitura de Londrina (PR).


A gota d’água teria sido quando o ministro confirmou, durante audiência pública no Senado, que o Brasil exportou carne de animais não rastreados à Europa. Tanto é que a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) vem cobrando de Stephanes a relação dos frigoríficos que embarcaram a carne sem rastreabilidade. O presidente do Fórum Nacional Permanente de Pecuária de Corte da CNA, Antenor Nogueira, comentou que o ministro pode falar o que quiser, mas tem que dar provas, punir e responder aos países envolvidos na questão. “Não pode haver conivência das autoridades.”


O deputado Jerônimo Goergen, que participou de reunião de parlamentares gaúchos, ontem, com Stephanes, informou que o país assumirá, a partir da próxima reunião da Cosalfa, a liderança nos trabalhos de combate à febre aftosa na América do Sul, para demonstrar que o Brasil tem posição sanitária diferenciada. No entanto, afirmou que ficou claro que a presidência e o Itamaraty têm posicionamentos contrários aos do ministro. “O ambiente não é tranqüilo, mas Stephanes já é mais compreendido”, avaliou Goergen. O superintendente do Ministério da Agricultura no Estado (Mapa/RS), Francisco Signor, que esteve reunido, anteontem, com Stephanes, revelou que ele estava sereno e tranqüilo.


Para o presidente da Associação Brasileira da Indústria Exportadora de Carne (Abiec), Marcus Vinicius Pratini de Moraes, que já esteve no posto, as declarações de Stephanes terão maiores conseqüências dentro do Mapa que fora. “Isso demonstra a falta de confiança do ministro em sua equipe.” O secretário da agricultura, João Carlos Machado, espera que Stephanes tome uma atitude quanto às indústrias que exportaram carne não rastreada, para justificar suas afirmações.


As vistorias do Mapa nas propriedades que poderão ser auditadas pelos europeus continua hoje. Conforme Signor, das 21, duas foram cortadas ontem, uma porque encerrou as atividades de pecuária e outra porque o proprietário solicitou para ficar fora da relação. Segundo ele, é bastante provável que outras sejam descartadas a partir da verificação in loco. A missão russa que inspeciona plantas frigoríficas no Estado esteve, ontem, em Bagé e estará, hoje, em Alegrete. Amanhã, irão direto a SC. Foi descartada reunião no Mapa/RS, disse o diretor do ministério, José Severo.


Correio do Povo – RS

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