O chanceler Celso Amorim alertou o comissário de comércio da União Européia(UE), Peter Mandelson, que poderá recorrer à arbitragem da Organização Mundial do Comércio (OMC) para resolver o impasse entre Brasil e UE em torno do embargo às exportações brasileiras de carne bovina in natura. Em telefonema a Mandelson no sábado passado, Amorim avisou que seus funcionários já estudam a abertura do processo e reclamou do sistema de rastreabilidade imposto aos produtores brasileiros. “É muito pesado. Isso foi criado na Europa por causa do mal da vaca-louca, mas nós não temos essa doença no Brasil”, argumentou.
Em conversa com jornalistas no Itamaraty, o ministro explicou que só “irá para a briga” se tiver um bom argumento jurídico. Depois de uma polêmica sobre o número de fazendas brasileiras aptas a exportar carne para a União Européia, o bloco decidiu embargar, no final do mês passado, a carne vendida pelo Brasil. Inicialmente o país havia relacionado 2,6 mil fazendas, mas a União Européia disse que aceitaria uma lista com apenas 300 fazendas. A segunda lista, com 523 propriedades, também foi rejeitada. A UE insiste que o fim do embargo depende de uma lista com apenas 300 fazendas e todas elas com gado rastreado.
“Deixei claro que criar qualquer tipo de restrição em termos de número de estabelecimentos é, indiretamente, uma forma de restrição quantitativa, que não está prevista nos acordos sanitários e fitosanitários da OMC”, defendeu. Segundo Amorim, é preciso “agradar ao cliente”, mas “dentro daquilo que é razoável”. Ele confirmou que o Itamaraty transmitiu várias vezes ao Ministério da Agricultura alertas de Bruxelas sobre a possível suspensão das importações de carne por parte da UE: “É o nosso papel”, acrescentou.
Doha
O ministro também respondeu à imprensa sobre a decisão de 20 dos 27 sócios do bloco europeu, que ontem rejeitaram as propostas agrícola e de indústria e serviço, apresentadas pelos presidentes dos grupos negociadores no último dia 8. “Se são só 20 de 27 há uma esperança”, ironizou Amorim. E completou: “Nenhum documento que venha dos presidentes irá nos satisfazer. Temos a responsabilidade de negociar, e a incerteza nos rumos da economia mundial impõe mais urgência à conclusão da Rodada, emendou o chanceler.
Correio Braziliense

