As exportações de carne bovina do Brasil para a União Européia ficarão suspensas pelo menos até o fim de março. Esse é o prazo mínimo, de acordo com diplomatas próximos à negociação, para a solução do impasse criado em torno do desacordo entre as autoridades européias e brasileiras sobre o número de fazendas que podem receber a certificação para vender o produto ao bloco.
Ontem o secretário de Defesa Agropecuária, Inácio Kroetz, ficou reunido o dia inteiro em Bruxelas com autoridades sanitárias da UE, mas o impasse foi mantido. O Brasil apresentou uma lista com entre 500 e 600 propriedades, mas a UE insiste em que elas não passem de 300.
As negociações serão retomadas hoje, quando a equipe de cinco técnicos do Ministério da Agricultura liderada por Kroetz espera chegar a um acordo sobre o formato da inspeção a fazendas brasileiras que a UE fará a partir do dia 25.
Como o período entre a visita dos europeus ao Brasil e avaliação dos resultados deve se estender por ao menos um mês, a expectativa mais otimista da diplomacia brasileira é que a exportação de carne à UE ocorra só no final de março.
A porta-voz da Comissão de Saúde e proteção do Consumidor da UE, Nina Papadoulaki, disse que a reunião de ontem foi de caráter “técnico” e que uma decisão política sobre o fim do veto à carne brasileira ainda deve demorar. O comissário que chefia a pasta, Markus Kyprianou, está ausente de Bruxelas em missão oficial.
Número alto
A UE suspendeu por tempo indeterminado as importações da carne bovina brasileira no dia 1º, depois que o Brasil enviou uma lista com 2.681 fazendas habilitadas a vender animais submetidos ao sistema de rastreabilidade de doenças como a aftosa. Alegando que esperava uma lista de 300 propriedades, compatível com a capacidade de fiscalização declarada pelo próprio governo brasileiro, a UE suspendeu as importações.
Entre os técnicos europeus que participaram das negociações ontem, a opinião é que o número apresentado pelo Brasil ainda é muito alto. “Queremos garantias de que as propriedades certificadas estão sendo rastreadas”, disse um funcionário europeu à Folha.
Kroetz e seus auxiliares se reuniram até tarde da noite de ontem com diplomatas da missão brasileira em Bruxelas tentando chegar a uma proposta que permita um acordo.
Segundo comunicado divulgado ontem pelo Ministério da Agricultura, o número de fazendas em condições de atender à UE deve ser definido hoje.
Folha de São Paulo

