Irlandeses são pequenos, mas barulhentos

por admin_ideale

 


O estopim da crise com a União Européia – a Irlanda – representa pouco em termos de produção de carnes. Mas o lobby dos produtores irlandeses surtiu efeito. Governo e setor produtivo acusam a associação de pecuaristas daquele país de ter feito uma campanha contra a carne brasileira, que culminou com a imposição de regras aptas ao sistema produtivo europeu – de pequena escala – e, conseqüentemente, ao embargo.


De acordo com dados da Scot Consultoria, o rebanho dos irlandeses é de apenas 6,88 milhões de cabeças, enquanto o brasileiro é de 203,43 milhões. A produção brasileira de carne bovina soma 10,42 milhões de toneladas (equivalente carcaça) e a irlandesa, 570 mil toneladas. “As armas deles foram baixas. Por isso, temos de usar a crise como exemplo para construir uma liderança representativa e grande”, afirma o analista da consultoria, Fabiano Tito Rosa. Segundo ele, diante do impasse, a primeira coisa a ser feita é a “lição de casa”, ou seja, arrumar as falhas no sistema de rastreabilidade e, depois, caprichar no marketing institucional e na defesa. “A produção total deles é dois dias de abate do Brasil. Eles não têm condições de competir com o Brasil, mas têm poder de lobby”, afirma o diretor da AgraFNP, José Vicente Ferraz.


Números do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo (Cepea/USP) mostram a diferença de competitividade dos pecuaristas brasileiros e dos irlandeses. Segundo esse estudo, o custo para produzir 100 quilos de carne na Irlanda é de US$ 620. No Brasil, varia entre US$ 160 a US$ 200, dependendo da quantidade de animais abatidos – em um sistema de maior ou menor escala de produção. A diferença entre o Brasil e a Irlanda se dá no sistema de produção – eles usam boi confinado, o País a pasto. “Com certeza, eles não têm condições de competir”, diz Sérgio de Zem, pesquisador do Cepea/USP. No entanto, segundo ele, o problema é que até 2003, os pecuaristas recebiam pesados subsídios para a produção de carne, que caíram. “A Europa viu que era mais barato comprar do Brasil ou da Argentina”, diz.


Gazeta Mercantil

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