O governo brasileiro corre contra o tempo para fechar, o mais rapidamente possível, um acordo com a União Européia (UE) para a retomada das exportações do Brasil àquele mercado. Segundo informou ontem o secretário-executivo do Ministério da Agricultura, Silas Brasileiro, vários países que importam o produto costumam seguir o modelo europeu de exigências sanitárias e de fiscalização.
O medo é que sejam declarados novos embargos.
“Estamos confiantes numa solução rápida quanto a isso. Percebemos que há boa vontade da União Européia”, disse.
Brasileiro não esclareceu se as autoridades têm prestado informações a outros parceiros sobre a carne bovina produzida no país. No entanto, disse que ontem mesmo o secretário de Defesa Agropecuária da pasta, Inácio Kroetx, viajou a Bruxelas (sede da Comissão Européia) com uma lista de cerca de 600 propriedades aptas a exportar para o mercado europeu.
Exportações bateram recorde em janeiro Enquanto o governo tenta resolver o problema da carne com a UE, surgiu ontem mais uma questão: foi detectado um caso de estomatite bovina na cidade de Cocalinho, às margens do rio Araguaia, no Mato Grosso.
Os técnicos informaram que o assunto está sendo investigado, mas que não há necessidade de sacrificar animais. A doença, pouco comum no Brasil, é adquirida, de forma geral, pela ingestão de alimentos contaminados e se assemelha à febre aftosa. A diferença, explicam técnicos, é que ela surge e depois some, não voltando mais a se manifestar.
A confirmação do caso de estomatite pelo governo só ocorreu depois que a brasileira JBS, maior produtora e exportadora de carne bovina do mundo, divulgou a descoberta da doença em comunicado a seus acionistas. Segundo o grupo, o caso foi informado pelo Ministério da Agricultura à Organização Internacional de Saúde Animal (OIE) na segunda-feira.
Por causa da doença, a Rússia suspendeu temporariamente as importações de carne in natura de bois criados no Mato Grosso, informaram ontem a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) e o Ministério da Agricultura. A restrição, prevista em acordo sanitário entre o Brasil e a Rússia, não deverá prejudicar as exportações para os russos daqueles frigoríficos instalados em Mato Grosso, uma vez que as empresas poderão abater bois de outros estados.
Desde o dia 1º a UE não compra mais carne in natura do Brasil. O bloco não aceitou a lista de mais de 2.600 propriedades apresentada pelo governo em novembro. Os europeus avaliaram que, pela pequena quantidade de fiscais federais para fazer vistorias, só seria possível credenciar 300 fazendas.
Em janeiro, as exportações de carne bovina bateram recorde, com alta de 37% em relação ao mesmo período de 2007, segundo a Abiec. Os dados refletem o forte aumento de vendas para a UE logo após o anúncio das restrições à exportação a partir de de fevereiro. No primeiro mês do ano, as vendas de carne bovina renderam US$ 464 milhões.
O Globo

